DILEMAS POLÍTICOS E A (RE) CONSTRUÇÃO DA MEMÓRIA E IDENTIDADE CULTURAL EM CASCAVEL-CE
turismo cultural; artesanato em barro; políticas públicas; identidade cultural; desenvolvimento local.
Esta pesquisa tem como objetivo analisar as tensões e dilemas políticos decorrentes da implementação de políticas públicas em Moita Redonda, com ênfase nos mecanismos de participação comunitária, a paridade, o desenvolvimento social, econômico e cultural, ao considerar a preservação da memória, da identidade cultural e dos valores simbólicos do artesanato no contexto do turismo cultural. A fundamentação teórica apoia-se nas contribuições de estudos sobre memória, identidade, políticas de reconhecimento, justiça social e economia da cultura por meio da multirreferencialidade (Ardoino, 1998; Barbosa, 1998). Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa aplicada, de abordagem predominantemente qualitativa, descritiva e de orientação etnográfica, que adota a Grounded Theory Construtivista (Charmaz, 2009). A investigação foi estruturada em cinco etapas complementares de coleta, a saber: base teórica e documental, imersão e observação participante, diálogo multidimensional (entrevistas semiestruturadas, entrevistas narrativas orais, entrevistas não-diretivas e questionário), análise e tratamento dos dados, tratamento com Grounded Theory: sistematização e proposição de políticas públicas. Participaram da pesquisa 79 sujeitos, distribuídos da seguinte forma: três líderes representantes da comunidade, três gestores públicos municipais e estaduais e 73 artesãos (ãs) da comunidade, representantes de 54 núcleos produtivos existentes na localidade. O estudo problematiza modelos hegemônicos de desenvolvimento e propõe diretrizes para políticas públicas que articulem turismo e artesanato sem esvaziar seus sentidos sociais, simbólicos e territoriais e contribui para o fortalecimento das dinâmicas locais. Os resultados sustentaram a tese de que o desenvolvimento local, por meio do turismo em comunidades artesãs, torna-se legítimo e sustentável quando supera uma lógica mercadológica, reposiciona o (a) artesão (ã) como sujeito epistêmico e fortalece sua participação na construção das políticas públicas de cultura e turismo, por meio de uma Trilha Formativa orientada pela justiça social.