EFEITOS DA PRESSÃO EXPIRATÓRIA POSITIVA NAS VIAS AÉREAS (EPAP) NO DESCONFORTO RESPIRATÓRIO E FREQUÊNCIA RESPIRATÓRIA EM LACTENTES HOSPITALIZADOS COM PNEUMONIA: UM ENSAIO CLÍNICO CONTROLADO, ALEATORIZADO E CEGO
fisioterapia respiratória; pediatria; enfermaria; pneumonia; lactente.
Introdução: A pneumonia manifesta-se clinicamente com tosse, taquipneia,
desconforto respiratório e aumento da produção de secreções, fatores que
contribuem para a obstrução das vias aéreas e agravamento do quadro
clínico. Atualmente, não é possível chegar a conclusões confiáveis sobre o
uso da fisioterapia respiratória em crianças com pneumonia, devido à
escassez de estudos, pela variação nas características dos estudos incluídos
e pelo alto risco de viés de desempenho. Objetivo: Avaliar os efeitos do
EPAP na frequência respiratória e no desconforto respiratório de lactentes
com pneumonia internados em enfermaria pediátrica. Métodos: Trata-se de
um ensaio clínico controlado, aleatorizado, cego (avaliador, paciente e
estatístico) e multicêntrico. A amostra será composta por 84 lactentes com
diagnóstico clínico de pneumonia e de seu respectivo responsável legal,
alocados aleatoriamente no grupo controle (GC) (EPAP ajustado em 0
cmH2O) ou grupo intervenção (GE) (EPAP ajustado em 5 cmH2O). Os
participantes foram avaliados antes (T0), imediatamente após (T1) e 30
minutos (T2) após a intervenção. Os desfechos primários foram a frequência
respiratória (FR) e o desconforto respiratório (Escala de Wood-Downes-
Ferrés). Os desfechos secundários foram frequência cardíaca (FC),
saturação periférica de oxigênio (SpO2), ausculta pulmonar, volume de
secreção removido, monitoramento de eventos adversos, nível de aceitação
(Escala FLACC) e a perspectiva dos pais coletada por entrevista
semiestruturada. O estudo foi aprovado no Comitê de Ética e Pesquisa da
UFRN/FACISA (nº 8.055.753) e registrado no Registro Brasileiro de Ensaios
Clínicos (ReBEC) - RBR-5bdqznf. Resultados parciais: Até o momento, 16
lactentes foram incluídos no estudo (GC, n = 8 e GE, n = 8). Ambos os
grupos apresentaram igual distribuição por sexo, com 4 homens (50%) e 4
mulheres (50%) em cada grupo. A média de idade foi de 8,92±5,05 meses no
GC e 7,89±6,19 meses no GE. Todos os participantes completaram o
protocolo integralmente. Foram observadas elevações transitórias na FR
(GC: 39,75±5,99; 49,13±9,53 e 39,25±6,96; GE: 44,38±13,36; 50,50±10,19 e
40,75±9,48). Os escores da escala Wood-Downes-Ferrés indicaram
desconforto respiratório leve em todo o período em ambos os grupos (GC:
2,75±0,70; 3,13±1,13 e 2,50±0,92; GE: 3,62±1,92; 3,63±1,06; 2,25±1,38).
Também foram observadas elevações transitórias na FC (GC: 129,75±17,44;
147,63±18,73 e 132,75±16,00; GE: 145,13±18,59; 143,00±21,58 e
135,13±13,41). A SpO2 manteve parâmetros estáveis em todas as fases
(GC: 94,13±3,44; 95,63±3,33 e 96,13±2,85; GE: 95,50±3,25; 94,75±2,18 e
94,75±2,31). A ausculta pulmonar apresentou melhora dos sons pulmonares
em ambos os grupos, em T0 houve predomínio de estertores crepitantes no
GC (75%) e de roncos no GE (62,5%), evoluindo para a ausência de ruídos
adventícios em 62,5% do GC e em 75% do GE no T3. Os escores da
aceitação da intervenção tiveram média de 4,63±2,56 no GC e de 5,00±0,75
no GE, sinalizando a presença de dor ou desconforto moderado durante a
realização das condutas. Além disso, não foram observados eventos
adversos em nenhuma etapa do estudo. Não foram realizadas inferências
estatísticas pelo baixo número amostral.