PRESCRIÇÕES PARA UM BOM ADESTRAMENTO DO CORPO E DA MENTE: OS ENUNCIADOS DISCURSIVOS CONTIDOS NOS MANUAIS DIDÁTICOS DAS ESCOLAS DE APRENDIZES MARINHEIROS (1922-1949)
Escola de Aprendizes Marinheiros; manuais de conduta; ensino profissional; disciplina.
Esta tese tem por objetivo analisar a formação do aprendiz marinheiro, entre 1922 e 1949, a partir dos discursos presentes nos manuais de instrução destinados aos aprendizes, buscando compreender como tais documentos orientavam a constituição de comportamentos, valores e práticas de disciplinamento escolar. O “Manual do Aprendiz Marinheiro” publicado no ano de 1922 é um livro responsável por apresentar o ensino propedêutico e o ensino elementar, ao mesmo tempo em que define as funções, os deveres e a carreira na Marinha do Brasil; já o “Manual do Aprendiz Marinheiro” publicado no ano de 1949 era responsável por ensinar diferentes aspectos da vida naval, desde conhecimentos técnicos até a maneira de se portar, falar e viver como marinheiro. Para melhor discussão do tema, utilizei como principais conceitos o de “disciplina” a partir de Michel Foucault (2014) e o conceito de “civilidade” a partir de Norbert Elias (1994). Como metodologia, por se tratar de diversos enunciados contidos nos livros e em relatórios e decretos da Marinha, utilizei a “análise do discurso” elaborada por Michel Foucault (2008). Conclui que os dois manuais produzidos e utilizados pelas Escolas de Aprendizes Marinheiros entre os anos de 1922 e 1949 atuavam como normatizadores da conduta, instrumentalização da socialização e controle dos corpos e mentes para adestrar os alunos a se comportar, a conter seus gestos, a assegurar a disciplina como parte da formação de uma pretensa identidade marinheira. Defendemos que os discursos divulgados nesses materiais didáticos são considerados violentos para o adestramento do corpo evidenciando como os processos de formação, disciplina e ensino estavam articulados aos projetos educacionais e institucionais da Marinha nas primeiras décadas do vigésimo século.