Banca de DEFESA: LUCIELTON TAVARES DE ALMEIDA

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : LUCIELTON TAVARES DE ALMEIDA
DATA : 08/05/2026
HORA: 14:00
LOCAL: Auditório do Centro de Educação
TÍTULO:

O ARCO DE ANIN: A ALFABETIZAÇÃO NA EDUCAÇÃO ESCOLAR DE CRIANÇAS TAPUIA TARAIRIU DA LAGOA DO TAPARÁ – RN


PALAVRAS-CHAVES:

Alfabetização; Educação Escolar Indígena; Criança; Educação Indígena;

Identidade.


PÁGINAS: 302
RESUMO:

A presente tese resulta de uma pesquisa que se debruça sobre a alfabetização de

crianças em território indígena, compreendida em um contexto permeado por saberes

tradicionais mobilizados por aspectos culturais, lutas históricas, preservação da identidade e

modos próprios de educar, sustentados por processos milenares de transmissão. Nesse

horizonte, as investigações fundantes dos estudos emergem de inquietações relacionadas às

práticas alfabetizadoras no âmbito do ensino escolar, entendidas como parte de um processo

formativo que possibilita a inserção dos sujeitos no universo da cultura escrita, por meio do

acesso a conhecimentos de caráter universal. A natureza da pesquisa configura-se, nesse

sentido, como qualitativa do tipo etnográfico, pela qual é realizada uma imersão no interior das

relações sociais articuladas entre as crianças pertencentes à etnia Tapuia Tarairiu e os aspectos

constituintes do seu processo alfabetizador enquanto indígenas da comunidade Lagoa do Tapará

(RN). Cujo território é partilhado, politicamente, entre os municípios de São Gonçalo do

Amarante e Macaíba. Ali, encontra-se a Escola Municipal Luís Curcio Marinho como

instituição responsável pela oferta do Ensino Fundamental I e II e trava incessantes lutas em

prol do seu reconhecimento enquanto escola indígena. Sob conhecimento de tal realidade,

surgiram questionamentos que impulsionaram as proposições investigativas da pesquisa, a

saber: como as crianças são alfabetizadas? Qual a relação entre as práticas alfabetizadoras e o

não reconhecimento da instituição enquanto escola indígena? De que modo a língua materna é

trabalhada no processo alfabetizador? Assim, o estudo se deu sob o objetivo maior de analisar

como ocorre a alfabetização na educação escolar de crianças Tapuia Tarairiu da Lagoa do

Tapará - RN. Para alcançar o mais alto grau desse entendimento, as investigações firmaram-se

em três objetivos menores: a) evidenciar as relações entre as práticas alfabetizadoras e o não

reconhecimento da instituição enquanto escola indígena; b) identificar as concepções que

fundamentam as práticas de alfabetização das crianças Tapuia Tarairiu da Lagoa do Tapará; c)

caracterizar as práticas docentes fomentadas para o desenvolvimento do processo alfabetizador

dessas crianças. A tese possui raízes fincadas nos terrenos da Educação indígena, da Cultura e

da Alfabetização como áreas do conhecimento, pelas quais perpassam as discussões

epistemológicas mais abrangentes. Nesse campo teórico, contamos com o diálogo trançado

pelos pressupostos de pesquisadores alinhados ao nosso objeto de pesquisa através de estudos

ancorados nos processos sócio culturais para melhor compreender seus fundamentos. Dentre os

quais, destacamos Bakhtin (2011), Baniwa (2006), Cagliari (1998; 2002), Ferreiro (1985; 2011;

2014), Freire (1976; 1996; 2005; 2013), Goulart (2014), Krenak (2019), Meliá (1979),

Munduruku (1996; 2009; 2012), Smolka (2008; 2020), Vygotsky (1981; 2006; 2008; 2010),

Weiz (1999) dentre outros autores, cujas ideias contribuíram para tecer a análise crítica das

compreensões sistematizadas. As quais, obtidas mediante investigações realizadas pelas

seguintes etapas metodológicas: documental, entrevista e observação participante. Como

resultado, entendemos que enquanto a égide da educação escolar indígena postula proposições

de um ensino pautado nos princípios da comunidade, a escola em questão não dispõe de

recursos e formação adequados posto que é tratada como uma extensão das escolas urbanas.

Enquanto isso, as narrativas de Anin, a alfabetizadora das crianças Tapuia Tarairiu, traduzem

concepções que deslocam seu ensino alfabetizador para um espaço de disputas pela preservação

da identidade étnica instituinte da cultura própria do seu povo. Para efetivá-las, a docente busca

superar os desafios estruturantes e pedagógicos ao realizar práticas alinhadas às dimensões da

contextualização, da territorialidade, do bilinguismo, da interculturalidade, da identidade, da

oralidade e da memória. Desse modo, alfabetizar crianças indígenas é articular saberes

vinculados às suas infâncias, línguas e pertencimentos, produzindo sentidos que, tal como um

arco, conectam escola e comunidade.


MEMBROS DA BANCA:
Externa à Instituição - JOSÉLIA GOMES NEVES
Externa à Instituição - GIOVANA CARLA CARDOSO AMORIM - UERN
Externa à Instituição - IARA TATIANA BONIN
Presidente - 2453560 - MARIA CRISTINA LEANDRO DE PAIVA
Interna - 1672888 - MARIANGELA MOMO
Interna - 1131585 - PATRICIA IGNACIO
Interno - 3280986 - WALTER PINHEIRO BARBOSA JUNIOR
Notícia cadastrada em: 23/04/2026 16:06
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