REPRESENTAÇÔES SOCIAIS DE EDUCAÇÃO DO CAMPO PARA PROFESSORES DO CURSO DE LICENCIATURA – LEDOC/PROCAMPO/UFPI
Representações Sociais; Educação do Campo; Licenciatura; PROCAMPO; Formação de Professores.
O estudo em questão se insere nas temáticas das políticas de educação e formação de
professores alavancadas pelos Movimentos Sociais do Campo (MSC), tendo como foco
o Programa de Apoio à Formação Superior em Licenciatura em Educação do Campo
(PROCAMPO). O contexto desta pesquisa se dá no estado do Piauí no município de
Floriano, na Universidade Federal (UFPI), Campus Amílcar Ferreira Sobral (CAFS), com
o objetivo de analisar as representações sociais (RS) sobre Educação do Campo (EC)
dos docentes do Curso de Licenciatura em Educação do Campo – Ciências da Natureza
(LEDOC). O grupo pesquisado se constitui de 11 docentes efetivos, pelo qual buscamos
caracterizar seus perfis, saber como estão se familiarizando com a concepção de
Educação do Campo e quais suas representações sociais sobre esse objeto. Traçamos
um caminho teórico-metodológico com base nos referenciais teóricos e normativos da
Educação do Campo, na Legislação da Educação Brasileira e na Teoria das
Representações Sociais (TRS) pela abordagem sociogenética (ou processual) vinculada
aos estudos de Serge Moscovici e Denise Jodelet. Como estratégia de investigação,
construímos o estudo no âmbito da pesquisa qualitativa do tipo exploratório-descritiva de
campo, tendo como suporte as técnicas de coleta de dados: a aplicação de Questionário
de Perfil dos Docentes, a realização de Entrevista Semiestruturada e a análise do Projeto
Pedagógico do Curso de Licenciatura em Educação do Campo (PPC/CAFS/UFPI). Para
análise e interpretação dos dados utilizamos a técnica da Espiral da Contextualização de
Angela Arruda. Nos resultados foi possível constatar que a formação do professor no
contexto da LEDOC enfrenta desafios e dificuldades em relação à compreensão da
concepção de EC e a proposta teórico-metodológica e de operacionalização do curso.
Da análise que emerge a configuração das representações sociais, observamos que as
noções de EC que perpassa a visão dos professores pesquisados estão ancoradas em
duas dimensões: a dimensão espacial-geográfica (a qual assenta a educação em um
lugar mais ‘físico’ e menos ‘social’ e de pertencimento) e a dimensão formativa (no que
compete suas funções educativa e de formação profissional). Essas duas dimensões,
embora apresentem certa coerência, reduz seu amplo significado quando os docentes
colocam o campo de representação do objeto ligado a uma visão que EC se vincula a
um curso que forma pessoas que vivem ‘no’ campo e ‘para’ o campo, quando essa
relação deveria ser ‘do’ e ‘com’, ou seja, de entrelaçamento sujeito/educação/campo. O
‘comportamento’ dos professores reforçou a confirmação da tese de que a formação do
professor-formador da LEDOC tem forte influência naquilo que ele faz e realiza, pelos
conhecimentos já adquiridos por suas crenças e valores, construídos no ambiente e/ou
grupo social em que estão inseridos.