ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS EM UMA ESCOLA DO CAMPO: UMA ANÁLISE SOBRE FAZERES CONSTITUTIVOS DA PRÁTICA PEDAGÓGICA QUE CONTRIBUÍRAM PARA APRENDIZAGENS DAS CRIANÇAS E DA PROFESSORA
Alfabetização. Práticas Pedagógicas, Escola do Campo. Narrativas da Própria Prática.
A dissertação analisa a própria prática pedagógica de alfabetização desenvolvida por uma professora em uma escola pública do campo, localizada na zona rural de um município do interior do Rio Grande do Norte. O estudo parte da necessidade de compreender e sistematizar os fazeres constitutivos dessa prática, considerando os desafios do início da docência e as especificidades do contexto campesino. O objetivo consiste em analisar quais dimensões da prática pedagógica contribuíram para as aprendizagens das crianças e da professora no processo de alfabetização em uma escola do campo. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, articulada a princípios da perspectiva histórico-cultural, com base nas contribuições de Vigotski e Bakhtin para a compreensão de processos humanos considerando a linguagem e as relações sociais como fundantes da constituição dos sujeitos. Assume-se a pesquisa sobre a própria prática como estratégia metodológica, compreendendo a professora como pesquisadora de sua experiência num movimento de sistematização como reflexão crítica. A construção dos dados se fez por meio da reconstrução do vivido como narrativas escritas, tendo, como base, registros da prática pedagógica, como fotografias, produções das crianças, materiais de planejamento e relatos escritos. As narrativas são tratadas como procedimentos e instrumentos de análise, como exercícios de interpretação e produção de sentidos atribuídos às ações pedagógicas, às observações das crianças e aos processos formativos vivenciados. Os resultados evidenciam que a prática pedagógica se constituiu em um movimento contínuo de ação, reflexão e reorganização dos modos de desenvolver a prática em articulação com as manifestações das crianças em relação aos seus aprendizados. Destacam-se, como elementos centrais: a organização das crianças como um grupo, do tempo e do espaço da sala de aula, o planejamento intencional articulando os direitos de aprendizagem postos por documentos oficiais para o primeiro ano e a escuta das crianças da turma como sujeitos singulares, a valorização de seus saberes e a articulação entre alfabetização e práticas sociais de leitura e escrita junto a outros conhecimentos componentes curriculares. Ressaltam, dos registros e de sua análise, avanços significativos nas aprendizagens das crianças, mesmo em um contexto marcado por limitações estruturais e vulnerabilidade social. Ao mesmo tempo, a professora vivenciou um processo formativo marcado pela ressignificação de concepções e práticas pedagógicas. Conclui-se que a alfabetização em escolas públicas, e do campo em especial, requer práticas pedagógicas contextualizadas e sensíveis às crianças como pessoas e às suas condições de vida– em suas necessidades e potencialidades. A sistematização da experiência evidencia que o conhecimento docente se constrói na articulação entre teoria, prática e reflexão crítica sobre o próprio fazer, contribuindo para o debate sobre alfabetização e formação docente emcontextos do campo.