A CULTURA DE PAZ NA LDB: UMA CRÍTICA A PARTIR DA TEORIA DA JUSTIÇA DE NANCY FRASER
Cultura de Paz. Políticas Educacionais. Justiça Social. Nancy Fraser. Etnografia Virtual.
Esta dissertação analisa o conceito de Cultura de Paz no contexto das políticas educacionais brasileiras, partindo da premissa de que se trata de um campo discursivo e ideológico em disputa. O objetivo é identificar as tensões inerentes ao termo e propor um novo arcabouço para ressignificá-lo à luz de um referencial de justiça social. Para tanto, a metodologia articula uma revisão narrativa da literatura acadêmica (2000-2024) com uma etnografia digital do discurso legislativo no Brasil. A análise, de cunho ensaístico, fundamenta-se na Teoria Crítica, mobilizando, em especial, a teoria da justiça de Nancy Fraser e suas dimensões de redistribuição, reconhecimento e representação, em diálogo com as categorias de esfera pública e violência simbólica. Os resultados revelam que a Cultura de Paz oscila entre uma abordagem securitária e controladora e uma perspectiva emancipatória. A aplicação do referencial de Fraser demonstra que a primeira abordagem se mostra insuficiente por não enfrentar as injustiças estruturais geradoras da violência. Conclui-se que uma política de Cultura de Paz só se efetiva quando transcende a busca por uma paz meramente negativa (ausência de conflito) e se compromete com uma paz positiva, compreendida como a construção ativa e incessante da justiça social em suas três dimensões.