O PLANO EDUCACIONAL INDIVIDUALIZADO COMO ESTRATÉGIA DE INCLUSÃO NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR: O OLHAR PARA AS CRIANÇAS COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA.
Inclusão; Educação Física; Plano Educacional Individualizado; Transtorno do Espectro Autista
A tese investiga o Plano Educacional Individualizado (PEI) como estratégia de inclusão de estudantes com TEA nas aulas de Educação, destacando a escassez estudos que articulem PEI, Educação Física e autismo. Defende que a inclusãoenvolve participação ativa dos estudantes e práticas pedagógicas continuamente ajustadas, apoiadas por formação docente e trabalho colaborativo. O estado da arteaponta o PEI como ferramenta importante para orientar práticas inclusivas articulando avaliação, planejamento e intervenção, mas revela lacunas como dificuldades no planejamento coletivo, falta de formação continuada adequada e ausência de pesquisas que relacionem PEI, Educação Física e TEA. Por conseguinte, o objetivo geral foi implementar e compreender o processo de construção, aplicação e implicações de um PEI elaborado de forma colaborativa como instrumento de formação continuada e apoio à inclusão de estudantes com TEA nas aulas de Educação Física, com objetivos específicos voltados à formação continuada, construção, validação e aplicação do PEI alinhado à BNCC, além da análise de suas implicações na prática docente. A metodologia, de natureza aplicada e abordagem qualitativa, foi estruturada em quatro etapas interdependentes: (1) apresentação da pesquisa e diagnóstico inicial com professores da rede municipal; (2) formação continuada colaborativa, organizada em encontros que discutiram inclusão, planejamento e construção do PEI; (3) aplicação prática do PEI por professoras voluntárias, desenvolvida em três encontros virtuais que revisaram o documento, planejaram adequações e acompanharam a implementação nas aulas; e (4) avaliação reflexiva por meio de grupo focal, análise de discursos e validação do instrumento (incluindo cálculo do Coeficiente de Validade de Conteúdo). A pesquisa respeitou todos os aspectos éticos e contou com participação voluntária de docentes. Os resultados mostraram avanços importantes no uso do PEI como ferramenta de inclusão. A formação colaborativa aprimorou o planejamento conjunto, o diálogo entre profissionais e a identificação de barreiras nas aulas. A aplicação do PEI gerou atividades mais adequadas, maior participação dos estudantes com TEA e práticas pedagógicas mais sensíveis. A validação do instrumento confirmou sua clareza e relevância, e as professoras relataram maior segurança e transformação em suas práticas inclusivas. A tese conclui que a formação continuada em PEI, construída de forma colaborativa e aplicada na prática, fortalece a inclusão de estudantes com TEA na Educação Física. O PEI mostrou-se eficaz quando integrado ao planejamento da turma, ao trabalho da escola e ao diálogo com as famílias. O estudo reforça a necessidade de políticas formativas contínuas, colaboração docente e práticas baseadas em evidências para consolidar uma Educação Física mais inclusiva e promotora de pertencimento.