REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DE DOCENTES DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL EM SAÚDE SOBRE ENVELHECIMENTO E MORTE, E SUAS REPERCUSSÕES NA FORMAÇÃO (ANNINHA).
Educação Profissional em Saúde; envelhecimento; morte; representações sociais.
A realidade nacional revela que a transição demográfica ocorre de forma célere com a perspectiva de que o percentual de pessoas idosas ultrapasse o percentual de crianças por volta do ano de 2031. O estudo objetivou analisar as representações sociais de docentes da Educação Profissional em Saúde sobre envelhecimento e morte, e as repercussões na formação de profissionais em nível médio para a área. O aporte teórico e metodológico para a pesquisa se pautou na Teoria das Representações Sociais como a principal lente, além de expoentes clássicos e atuais da literatura referente à temática do envelhecimento e morte. É uma pesquisa de natureza básica, do tipo explicativa, com abordagem qualitativa. O locus da pesquisa foi a Escola de Saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Unidade Acadêmica especializada em Educação Profissional em Saúde, localizada no Campus Central, na cidade de Natal/RN. A recolha das informações ocorreu através de instrumento de entrevista semiestruturada, com roteiro previamente elaborado, durante os meses de agosto a novembro do ano de 2022. As entrevistas foram realizadas com vinte docentes atuantes nos três cursos técnicos que preparam para a assistência direta em saúde. Sequencialmente à recolha das informações, procedeu-se à análise destas ocorrida em duas etapas: a primeira composta pela realização da pré-análise a partir da leitura flutuante das entrevistas e constituição do corpus de análise. A segunda etapa constou do trabalho de interpretação alicerçado na Espiral de Contextualização proposta por Arruda (2018). Os preceitos éticos foram atendidos ocorrendo a emissão do Parecer Consubstanciado com o Certificado de Apresentação de Apreciação Ética (CAAE) sob o nº 57732522.30000.5292. Os resultados revelaram duas dimensões à análise: Diálogos sobre o envelhecimento e a morte, e diálogos sobre a formação dos profissionais em saúde e sua atuação docente na Educação Profissional em Saúde. Na primeira dimensão houve o desvelamento da representação social sobre envelhecimento e morte, a partir das prerrogativas à elaboração de representações sociais, ancoragem e objetivação. O envelhecimento como sinônimo de velhice, categorizada principalmente em seus aspectos negativos, e morte como perda e medo em nível da insuportabilidade, são situações de diferença mantidas distanciadas, ou seja, no lugar da alteridade. As repercussões na formação em nível médio em saúde para lidar com a transição demográfica recebe importantes impactos da representação social, indubitavelmente nessa formação transitam os saberes do cotidiano e científicos. É marcante a presença do modelo assistencial biomédico, como importante orientador na formação inicial de profissionais em saúde que posteriormente serão docentes, repercutindo o mesmo modelo na sua atuação docente enquanto formador de profissionais em nível técnico na mesma área. Houve o achado de uma representação profissional para o envelhecimento como uma condição biopatológica, justificando o fato de que a representação social de negação e afastamento para o envelhecimento, e de medo da perda para a morte, repercutem na manutenção da ênfase nos aspectos biológicos para a formação em nível médio em saúde.