Memórias de professoras: narrativas em educação, cidades e vínculos de existência em Cidade da Esperança Natal/RN (1966 - 1996).
Narrativas docentes; História da educação; História pública; História oral; Cidade da Esperança; Memória coletiva.
Esta tese investiga as trajetórias e experiências das primeiras professoras do bairro Cidade da Esperança, em Natal/RN, entre os anos de 1966 e 1996, articulando narrativas docentes com a história da educação, a história pública e a história oral. A pesquisa parte da pergunta central: como essas professoras contribuíram para a formação e construção do bairro, e quais as características dessa atuação profissional no período? A investigação se ancora nos pressupostos da história cultural e da história oral, adotando uma abordagem sensível e participativa, que reconhece nas narrativas das professoras fontes legítimas para a produção do conhecimento histórico-educacional. A metodologia combinou entrevistas, análise de documentos escolares, acervos pessoais e arquivos institucionais, articulando escuta ativa, cruzamento de fontes e o retorno para a comunidade. O uso do software Tropy auxiliou na organização e análise das narrativas. A tese está estruturada em cinco capítulos. O primeiro discute os fundamentos teóricos da história cultural e das narrativas docentes. O segundo trata da história pública e da metodologia da pesquisa, com ênfase na autoridade compartilhada. O terceiro capítulo contextualiza historicamente o bairro Cidade da Esperança, destacando os contrastes entre discursos oficiais e memórias locais. O quarto capítulo analisa as experiências de formação e atuação docente, revelando identidades marcadas por coragem, maternidade, resistência e afeto. Por fim, o quinto capítulo investiga as redes de sociabilidade construídas em torno da escola e o papel das professoras na constituição de um sentimento de comunidade e pertencimento. Os resultados revelam que as professoras desempenharam papel central na constituição social e simbólica do bairro, contribuindo para a formação de redes afetivas e educativas que ultrapassaram os muros da escola. As narrativas evidenciam a docência como prática historicamente situada, afetiva e transformadora, marcada por táticas cotidianas diante das adversidades estruturais. Ao dar centralidade às vozes das professoras, a pesquisa afirma o potencial da memória, da escuta e da história pública como instrumentos de valorização e transformação da educação.