AS PRÁTICAS EDUCATIVAS NÃO-FORMAIS NAS HISTÓRIAS DE VIDA LGBTQIAPN+ EM ASSENTAMENTOS DO MOVIMENTO SEM TERRA NO RIO GRANDE DO NORTE
Histórias de vida; LGBTQIAPN+; Movimento Sem Terra; Práticas educativas não-formais.
Esta tese tem a finalidade de analisar as práticas educativas não-formais que contribuíram para a formação de identidades LGBTQIAPN+ em acampamentos e assentamentos vinculados ao Movimento Sem Terra (MST) no Rio Grande do Norte. Este objetivo geral desdobra-se, especificamente, em: a) compreender as lutas pela terra do MST, bem como, os desafios enfrentados pela comunidade LGBT, na constituição do seu próprio movimento; b) problematizar através das memórias dos/as entrevistados/as os aspectos de suas histórias de vida responsáveis por constituir marcas de repressão ou liberação de uma identidade dissidente; c) entender como a construção de um espaço que acolhesse a diversidade sexual, nos assentamentos e acampamentos sem terra, produziu práticas educativas não-formais, responsáveis por educar outras/novas identidades. A pesquisa, de cunho qualitativo (coleta de dados) e de caráter participante (entrevistas), buscou construir uma narrativa das histórias de pessoas LGBTQIAPN+ que entrecruzam suas vidas com o MST. O contexto das histórias de vida foi analisado conforme o referencial teórico da história oral e dos estudos de gênero e sexualidade, a luz das práticas educativas não-formais produzidas pelo e no MST em conjunto com o Coletivo LGBT Sem Terra. Essa combinação, a princípio, antagônica, produziu espaços e lugares outros, na perspectiva foucaultiana, com impacto nas vivências na luta e no trabalho pela terra, na aceitação e/ou superação de preconceitos, no acolhimento das diferenças, por meio de uma práxis transformadora. Nesse sentido, as narrativas demonstram que as práticas educativas não-formais contribuíram para um rompimento da assimetria social entre as dissidências sexuais e de gênero e a identidade de assentado e acampado.