Banca de DEFESA: SANZIA PINHEIRO BARBOSA

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : SANZIA PINHEIRO BARBOSA
DATA : 27/06/2025
HORA: 14:30
LOCAL: Auditório do Centro de Educação
TÍTULO:

Corpoflor: Para uma educação como experiência da diversidade


PALAVRAS-CHAVES:

Castiel Vitorino Brasileiro; transmutação; relações interespecíficas.


PÁGINAS: 156
RESUMO:

Partindo da crítica à educação humanista, e entendendo o humanismo como base estruturante da sociedade ocidental branca, heteronormativa e patriarcal, arquitetura que sustenta a ideia da excepcionalidade do ser humano, e seguindo o exemplo dos artistas que atuam no campo da arte contemporânea hoje, esta tese procura comentar, questionar e, quem sabe, apontar uma possível fenda que possa contribuir com a crise educacional atual. Por meio da produção poética de Castiel Vitorino Brasileiro, artista, escritora, travesti, negra e psicóloga, que nos oferece uma potente disputa imagética e narrativa, ao afirmar a transmutação como desígnio da vida, em sua recusa da ideia de permanência, centraliza a transformação, como fundamento da existência, sendo a perecividade a condição essencial da vida. Os estudos de Castiel em relações interespecíficas rompem a separação entre humano e não humano, propondo um modo de vida em que humanos, plantas, espíritos, águas e outros seres coexistem em redes de afeto, cuidado e aprendizado mútuo. Nessas relações não há hierarquias: há trocas, escuta e covibração entre diferentes formas de vida. Nosso esforço aqui é tecer uma escuta, um diálogo sensível e relacional, não para analisar as obras da artista como objeto a ser decifrado, mas deixar-se afetar, permitir que interrompam o saber que se pensa pronto. Essa tese não enquadra a obra em categorias predeterminadas, mas reconhece a obra como coautora do pensamento, operando como corpo que sente, escuta e se desloca. Aqui a obra deixa de ser “objeto de análise” para ser companhia de travessia. Entrelaço a produção imagética e narrativa de Castiel com a fabulação de Conceição Almeida, que defende a educação como experiência da diversidade. A diversidade é entendida aqui como vital, aquilo que possibilita a vida no planeta Terra. As práticas artísticas podem ser caminhos para uma educação complexa, sustentada na multirreferencialidade própria da arte contemporânea, no aprendizado das relações interespecíficas e no aceite da transmutação como desígnio da vida. Selecionei três obras de Castiel e um conjunto de cinco trabalhos nos quais as plantas participam: Corpoflor, A cambonagem e o incêndio inevitável, Eclipse: espaço perecível de liberdade e o conjunto formado por: Um punhado de onze horas, Julite, Novos ancestrais, Plantas que curam e comigoninguém-pode. Adoto no desenvolvimento da tese uma lógica rizomática, explorando as questões e materialidades presentes nos trabalhos e na alteridade que atravessa a produção de Castiel e, mais amplamente, em parte significativa da recente produção da arte brasileira contemporânea. O que aproxima essas artistas é o compromisso em desafiar as estruturas das sociedades coloniais, questionar a ideia de identidade, desestabilizar discursos dominantes e propor novas formas de existir. São trabalhos cheios de vigor e delicadeza. As considerações finais apontam para uma educação que tem as relações interespecíficas e a transmutação como centro traduzindo-se em uma prática sensível e radical, na qual aprender é um gesto de escuta profundo da diversidade que sustenta a vida no planeta Terra. A prática poética de Castiel inspira uma educação que acolhe a experiência com o diverso e, por isso, como movimento, como passagem, como performance da vida em suas infinitas possibilidades. Uma pedagogia da intimidade com a perecividade, na qual se aprende com a terra e com os ventos, com as memórias da lua, dos fungos e das flores, com o que insiste em viver apesar da violência da norma. Nesse convite, o saber não é poder, mas vínculo, um chamado para compartilhar, cuidar e conviver.


MEMBROS DA BANCA:
Externo à Instituição - AILTON SIQUEIRA DE SOUSA FONSECA - UERN
Externo à Instituição - CARLOS ALDEMIR FARIAS DA SILVA - UFPA
Externa ao Programa - 6350736 - EUGENIA MARIA DANTAS - nullExterno à Instituição - IRAN ABREU MENDES - UFPA
Interna - ***.302.644-** - JOSINEIDE SILVEIRA DE OLIVEIRA - UERN
Externa ao Programa - 1170781 - MARGARIDA MARIA DIAS DE OLIVEIRA - nullPresidente - ***.088.024-** - MARIA DA CONCEICAO XAVIER DE ALMEIDA - UFRN
Notícia cadastrada em: 02/06/2025 09:44
SIGAA | Superintendência de Tecnologia da Informação - (84) 3342 2210 | Copyright © 2006-2026 - UFRN - sigaa10-producao.info.ufrn.br.sigaa10-producao