PADRE JOSÉ COMBLIN: sementes de libertação, lições para emancipação
Teologia da Enxada; Sujeito implicado; Teologia da Libertação; Educação Libertadora
A reflexão desenvolvida nesta dissertação trata da difícil missão de “educar os educadores” a partir de três propostas educativas implementadas pelo padre José Comblin (1923-2011) no Nordeste brasileiro na segunda metade do século XX. Alicerçado nos princípios do método VER-JULGAR-AGIR tornou-se artífice de uma didática popular capaz de estabelecer diálogo entre o ensino da Teologia e as labutas do viver, tendo em vista o desabrochar do pensamento crítico dos seminaristas, missionárias e missionários. O propósito dessa Pedagogia encarnada canaliza-se para a construção comunitária de uma política do viver norteada pela esperança, fraternidade e solidariedade, apta em transformar “situações-limites” em “inédito viável”. Revistar o projeto deste missionário educador supõe alargar fronteiras disciplinares que demarcam as formações de presbíteros, leigas e leigos, presas ao academicismo e às fórmulas acabadas, para dispor-se a uma aprendizagem compartilhada sujeita ao inacabamento oriundo dos questionamentos e ajustes constantes conforme às exigências das práxis. A investigação conduziu-se pelo levantamento bibliográfico, consultas às fontes documentais, entrevistas e testemunhos. Os interlocutores teóricos deste trabalho são Paulo Freire (1921-1997) pela defesa dialética da aprendizagem coletiva; e Edgar Morin (1921-2026) pela via do reconhecimento da “auto-eco-organização” no itinerário formativo dos sujeitos. Rever as experiências da “Teologia da Enxada” vivenciadas nos agrestes pernambucano e paraibano, e igualmente, a participação no processo de criação do curso de Teologia no Seminário São Pedro na Arquidiocese de Natal, permite enxergar o “Projeta da Liberdade” como um educador que soube cumprir o empenho de educar outros educadores rumo ao horizonte de uma sociedade mais e igualitária e mais justa.