GRÊMIOS ESTUDANTIS E PARTICIPAÇÃO POLÍTICA DAS JUVENTUDES NA GESTÃO ESCOLAR DEMOCRÁTICA DA REDE ESTADUAL EM NATAL/RN
Juventudes; Grêmio Estudantil; Gestão Escolar Democrática; Participação Juvenil.
Esta dissertação analisa a participação das juventudes por meio dos Grêmios Estudantis na gestão escolar democrática e participativa em escolas estaduais de Ensino Médio do município de Natal/RN, buscando compreender, a partir da perspectiva dos próprios estudantes, como essa participação é incorporada pela gestão escolar. O estudo problematiza as concepções contemporâneas de juventude(s), suas interfaces com os campos educacional, laboral e de participação social e política, bem como o papel histórico e político do movimento estudantil no Brasil, com destaque para os Grêmios Estudantis enquanto instâncias de representação juvenil. Metodologicamente, a pesquisa se caracteriza como qualitativa, de natureza exploratória e descritiva, utilizando revisão de literatura, análise documental, além da realização de entrevistas semiestruturadas com estudantes gremistas. Os dados empíricos foram analisados à luz de referenciais teóricos críticos sobre juventude, currículo, participação e gestão democrática. Os resultados evidenciam que, embora o Grêmio Estudantil seja reconhecido formalmente como espaço legítimo de participação, sua atuação na gestão escolar ocorre de forma limitada, marcada por contradições, tensões e processos de burocratização, nos quais a participação juvenil é frequentemente instrumentalizada ou condicionada às expectativas da gestão. As falas dos estudantes revelam tanto experiências formativas significativas, relacionadas ao desenvolvimento político, social e identitário, quanto conflitos de autoridade, restrições institucionais e fragilidades no reconhecimento do Grêmio como organização coletiva autônoma. Conclui-se que a efetivação da gestão escolar democrática demanda não apenas a existência formal de instâncias participativas, mas o fortalecimento de uma cultura política escolar que reconheça as juventudes como produtoras de sentidos, direitos e práticas democráticas, apontando-se, ainda, os limites da pesquisa e a necessidade de investigações futuras que aprofundem as relações entre participação juvenil, políticas educacionais e democracia no contexto escolar incrementadas de outras percepções.