Quilombos; Populações afro-brasileiras; Comunidades tradicionais.
Este estudo objetiva analisar os quilombos do Talhado a partir de um estudo autoetnográfico dos negros do Talhado na busca, enquanto cidadãos, de direitos coletivos. Nesse sentido, busca-se analisar a trajetória de luta e resistência, bem como a vivência dessa população nos territórios desde sua formação social até se tornarem cidadãos políticos; a transição do território rural para o quilombo rural e do quilombo rural para o urbano, mantendo as raízes ancestrais; como se dá a formação sociopolítica do Talhado Rural, do Talhado Urbano do Bairro São José e do Monte São Sebastião, sendo essa trajetória narrada através de minhas convivências e experiências enquanto pessoa pertencente àquela comunidade por muito tempo vista como pessoas subalternas, tendo uma narrativa de fora para dentro. A tese trará uma narrativa de dentro para fora, como uma autoetnografia, uma abordagem que rompe com a ilusão da neutralidade científica para celebrar a subjetividade da pesquisadora como fonte legítima de conhecimento. Fundamentada no conceito de "escrevivência" de Conceição Evaristo (2018), a pesquisa assume um caráter visceral e reflexivo, na qual a minha trajetória pessoal, herdeira direta da linhagem fundadora do Quilombo do Talhado, funciona como bússola para a investigação. O método não separa o sujeito do objeto; pelo contrário, utiliza a memória oral, o pertencimento territorial e a ancestralidade para narrar a história, visando desconstruir estereótipos acadêmicos e dar protagonismo às vozes quilombolas na compreensão de suas próprias lutas, identidades e resistências demonstrando como um quilombo se forma, se organiza e se projeta politicamente.