ENTRE CONVENIÊNCIA E DISSIDÊNCIA: A MÁQUINA ABSTRATA DO PONTO DE CULTURA PORÃO DAS ARTES
Conveniência cultural; dissidência; cultura-revolta; subjetividade.
Na contemporaneidade, tornou-se premissa que as políticas culturais atuem como mola propulsora para conciliar crescimento econômico e bem-estar social. Nesse contexto, destacamos a Política Nacional Cultura Viva (PNCV), especialmente os Pontos de Cultura, por reconhecer e apoiar diversos grupos e organizações no Brasil. Ao completar vinte anos, em 2024, observamos que a pesquisa realizada para sua atualização apresentou objetivos eminentemente economicistas, institucionais e burocráticos. Entre mais de 150 Pontos de Cultura no Rio Grande do Norte, escolhemos a Máquina abstrata do Porão das Artes por sua resistência à mercantilização artístico-cultural e pela produção de subjetividades singulares, ainda que capturadas pelo Estado e pelo mercado. A noção de conveniência (Yúdice, 2012) refere-se à instrumentalização da cultura como recurso social e econômico; já a dissidência (Guattari, 1987) opera na micropolítica das relações cotidianas, promovendo singularização e autonomia. Diante disso, questionamos como essa relação afeta processos de subjetivação, como o Porão se apropria dos discursos da gestão cultural e como mensurar impactos culturais em programas sociais. Para abordar essas lacunas, consideramos as formações de subjetividade como abertas a uma pragmática ético-estética via metamodelização (Guattari, 2012), em que a prática dissidente e a cultura-revolta (Kristeva, 2000) possibilitam agenciamentos coletivos que escapem à racionalidade instrumental.