A[NARCO]CAPITALISMO: Crítica da teoria austrolibertária em Rothbard e Hoppe
Anarcocapitalismo. Facções Criminosas. Governança Criminal. Escola Austríaca. Libertarianismo.
Esta tese descreve, analisa e critica o conceito de anarcocapitalismo em Murray N. Rothbard e Hans-Hermann Hoppe, membros da Escola Austríaca de Economia; além disso, procura conceituar as facções criminosas brasileiras como soberanias anarcocapitalistas. Ambos, Hoppe e Rothbard, ficaram conhecidos na teoria política por defenderem aquilo que chamam de “libertarianismo de mercado”, “capitalismo puro” ou “anarcocapitalismo”, eles argumentam que o mercado capitalista, absolutamente livre da interferência dos Estados, produziria mais riquezas, civilização e pacificação. Para atingir seu desiderato, esses austrolibertários defendem a implosão dos Estados e de suas nações coercitivamente erguidas, via evasão e denegação, inicialmente pacífica, de sua esfera de poder. Segundo esses autores, votando com os pés para formar comunidades realmente livres, no lugar dos Leviatãs, deveríamos estabelecer “nações por consentimento”: casas, ruas, bairros, cidades e extensões de terra inteiras sob a forma de propriedades privadas soberanas, nas quais todo o Direito emergiria do “direito natural” de propriedade, que tomam emprestado do filósofo inglês John Locke. Em contrapartida, sintetizo e introduzo o leitor ao conceito atual de facções criminosas, mas procuro argumentar que não funcionam na forma de empresas capitalistas regulares, senão como agências anarcocapitalistas, isto é, soberanias empresariais erguendo sua própria Lei e Ordem. Com isso, argumento que um mundo anarcocapitalista não seria mais pacífico, mais civilizador e que não disporia de mais meios de evitar a formação de soberanias empresariais criminais do que o atual, como argumentam os austrolibertários, devido à estrutura mesma do modo de produção capitalista e de seu mercado, exacerbada ao limite pela implosão dos Estados.