INTERPRETAÇÃO INTEGRADA DE DADOS GEOLÓGICOS E GEOFÍSICOS DO EMBASAMENTO DA BACIA POTIGUAR: IMPLICAÇÕES PARA ESTRUTURAÇÃO CRUSTAL E POTENCIAL GEOTÉRMICO.
Província Borborema; Embasamento da Bacia Potiguar; Limite crustal; Domínio Jaguaribeano; Domínio Rio Piranhas Seridó; Energia Geotérmica.
No contexto global da urgente busca por fontes de energia com baixa pegada de carbono, a energia geotérmica destaca-se como opção renovável, de baixo impacto ambiental, com fornecimento contínuo, independente de condições climáticas. No Brasil, o potencial geotérmico identificado é de baixa entalpia, e o aproveitamento atual se limita principalmente a usos diretos, como lazer e recreação, em parques de fontes termais, sendo explorada para este fim na cidade de Mossoró, no Rio Grande do Norte, entre outros lugares. No entanto, estudos apontam possibilidades de recursos geotérmicos de média temperatura em profundidades entre 3 e 5 km no Nordeste. Este trabalho se propõe a integrar dados geológicos e geofísicos, no intuito de investigar o contexto geológico do embasamento da Bacia Potiguar em sua porção sul, visando a caracterização geológica e avaliação preliminar do potencial geotérmico. Os dados geológicos consistiram de amostras de calha do embasamento coletadas em poços localizados na Bacia Potiguar, submetidas a análises petrográficas, difratometria de raios X (DRX) e datações U-Pb, e testemunhos de poços descritos macroscopicamente. Os dados geofísicos incluíram gravimetria (terrestre e aérea), magnetometria de alta resolução, processados com filtros de derivada vertical e gradiente horizontal para realçar anomalias estruturais. Foram utilizados mapas geológicos e estudos de literatura para correlação dos litotipos do embasamento interceptados pelos poços da bacia com as unidades aflorantes nas circunvizinhanças da mesma. A datação permitiu separar inicialmente dois grupos principais de rochas: (1) ortognaisses paleoproterozóicos com idades de 2.273 a 2.360 Ma, posteriormente correlacionados ao Complexo Caicó (Domínio Rio Piranhas-Seridó); e (2) granitoides neoproterozóicos com idades de 570,7 a 579,7 Ma, correlacionados às Suítes Intrusivas Itaporanga e Dona Inês. O único poço com testemunho, cuja descrição remete a migmatitos, foi atribuído como pertencente ao Complexo Jaguaretama. Os ortognaisses paleoproterozóicos apresentam estruturas ígneas preservadas, mineralogia compatível com séries magmáticas cálcio-alcalinas e baixo grau de migmatização, distinguindo-se das rochas fortemente migmatíticas do Complexo Jaguaretama. Os mapas magnetométricos e gravimétricos processados evidenciam os lineamentos correspondentes à Zona de Cisalhamento Portalegre de direção NE-SW, e sua continuidade na bacia, bem como estruturas NW associadas à Falha de Apodi. A interpretação integrada dos dados permitiu traçar o limite crustal entre os domínios Jaguaribeano e Rio Piranhas Seridó dentro da bacia, posicionado sobre alto interno do embasamento. As conclusões alcançadas a partir dos dados geológicos e geofísicos fornecem base para estimativa do potencial geotérmico do embasamento da Bacia Potiguar, mediante comparação com estudos da literatura que apresentem dados de propriedades geotérmicas para rochas análogas às identificadas nesse trabalho, etapa esta ainda a ser realizada.