APLICAÇÃO DE TÉCNICAS DE BATIMETRIA DERIVADA DE SATÉLITE EM AMBIENTES TROPICAIS: ESTUDO DE CASO EM ÁREA DA PLATAFORMA CONTINENTAL LESTE DO RIO GRANDE DO NORTE
Razão de bandas, sensoriamento remoto, filtros de mediana, correção atmosférica, ACOLITE.
A caracterização morfológica de plataformas continentais rasas é fundamental para compreender os processos sedimentares e subsidiar a gestão costeira. Contudo, grande parte dessas áreas historicamente carece de dados batimétricos de alta resolução, em razão de limitações financeiras e logísticas — especialmente em trechos onde as condições oceanográficas dificultam levantamentos embarcados — associadas aos métodos hidroacústicos tradicionais. Esta tese de doutorado propõe e valida um fluxo metodológico integrado para a aplicação da Batimetria Derivada de Satélite (BDS) em ambientes tropicais. O trabalho desenvolve-se em duas etapas complementares, que abordam, de forma sequencial, a modelagem empírica do relevo submarino e o aprimoramento da qualidade radiométrica dos dados, tendo como área de estudo um setor da plataforma leste do Rio Grande do Norte. Trata-se de uma região marcada por obstáculos físicos, como afloramentos e bancos recifais, que dificultam a navegação e comprometem a qualidade de registros hidroacústicos. Na primeira etapa, o estudo concentrou-se na avaliação da aplicabilidade da BDS por meio do modelo empírico de razão de bandas proposto por Stumpf et al. (2003), analisando sua viabilidade para levantamentos preliminares em áreas carentes de informações batimétricas. Uma contribuição metodológica relevante dessa fase foi a incorporação de filtros de mediana no pós-processamento, técnica que mitigou de forma eficaz os ruídos espectrais amplificados pelas transformações logarítmicas do modelo. A segunda etapa, voltada à maximização da acurácia dos modelos batimétricos previamente testados, aprofundou-se na análise da qualidade radiométrica do sinal, considerando os desafios impostos pela interferência atmosférica e pela reflexão especular (Sunglint). Foram comparados diferentes fluxos de processamento, contrapondo-se produtos operacionais Sentinel-2 nível L2A (corrigidos pelo algoritmo Sen2Cor) a abordagens aplicadas a imagens nível L1C utilizando o processador ACOLITE e algoritmo Deglint. Os resultados evidenciaram que o processamento via ACOLITE, com o uso do algoritmo Dark Spectrum Fitting (DSF) e de bandas SWIR para estimar a reflectância atmosférica, superou estatisticamente os produtos L2A. Demonstrou-se, ainda, que o uso direto de imagens L2A pode acarretar perda de informações espectrais relevantes para ambientes aquáticos, ao passo que a correção realizada pelo ACOLITE aumentou significativamente a consistência dos dados empregados na BDS.