CARACTERIZAÇÃO DA MORFOLOGIA SUBMARINA DA PORÇÃO NORTE DO ARQUIPÉLAGO DE SÃO PEDRO E SÃO PAULO
Arquipélago de São Pedro e São Paulo; Batimetria Multifeixe; Geomorfologia
O mapeamento do fundo marinho desempenha um papel fundamental para a compreensão, gestão e exploração sustentável dos ecossistemas oceânicos, constituindo ferramenta essencial em aplicações científicas, ambientais e econômicas. Entre as técnicas mais empregadas para esse fim destaca-se a batimetria multifeixe, que permite a medição precisa das profundidades oceânicas e a geração de modelos tridimensionais detalhados do relevo submarino. Este estudo foi conduzido no Atlântico Sul, na região norte do Arquipélago de São Pedro e São Paulo, abrangendo aproximadamente 1.800 km². Os dados batimétricos foram coletados em 2023 durante expedição do navio hidroceanográfico Vital de Oliveira (NpqHOc), da Marinha do Brasil, no âmbito do Projeto QWHALES. A aquisição foi realizada com um ecobatímetro multifeixe EM-122 (Kongsberg). O processamento dos dados ocorreu no software HIPS e SIPS 12.0 (Caris/Teledyne), complementado pelo uso do QGIS Desktop, versão 3.40.5 e do ArcScene, versão 10.5 para elaboração de mapas temáticos, perfis de elevação e representações tridimensionais. A partir do processamento, foram gerados mapas de batimetria, declividade, relevo sombreado e cinco perfis topográficos. O mapa batimétrico, que abrange profundidades entre 4.223 m e 152 m, permitiu identificar quatro feições principais: (i) a Falha Transformante de São Pedro e São Paulo; (ii) estruturas na forma de colinas abissais com orientação N–S; (iii) bacias abissais e escarpas; e (iv) a Cadeia Peridotítica de São Pedro e São Paulo, caracterizada por sua elevação topográfica alongada de sentido E–O. A análise de declividade evidenciou valores variando entre 0° e 67°. A maior parte da área de estudo apresenta inclinações suaves a moderadas (0°–16°), condizentes com um relevo relativamente estável. As declividades mais acentuadas concentram-se nas proximidades do pico da cadeia peridotítica, em profundidades próximas a 150 m. Os resultados obtidos permitiram caracterizar a morfologia submarina da região e estabelecer correlações consistentes com estudos anteriores, contribuindo para o avanço do conhecimento sobre a dinâmica geomorfológica do Arquipélago de São Pedro e São Paulo.