Caracterização Morfoestrutural e Dinâmica Tectono-Magmática da Dorsal Mesoatlântica na Latitude de 1°N
Dorsal Mesoatlântica; morfoestrutural; descontinuidade não transformante
A Dorsal Mesoatlântica apresenta uma extrema complexidade geodinâmica, essa compreensão é fundamental para entender a dinâmica e processos ligados à tectônica de placas divergentes. Este estudo investiga a relação entre os processos tectônicos e magmáticos na formação e evolução das falhas geológicas, focando na morfologia local e na dinâmica geodinâmica da região da latitude 1°N da Dorsal Mesoatlântica. A pesquisa foi conduzida a bordo do Navio de Pesquisa Hidrográfica e Oceanográfica (NpqHOc) Vital de Oliveira, no âmbito dos projetos QWHALES, SeabedMap e PQ MapMar. Para a coleta de dados, foi utilizado um ecossonar multifeixe EM-122, com frequência de 12 kHz e abertura de 60º, com velocidade de 7 nós. Os dados foram processados com o software Caris HIPS & SIPS, gerando um mapa batimétrico e backscatter, com resolução de 50 metros. A partir dado batimétrico processado, foi possível identificar a morfologia de dorsais oceânicas de propagação lenta através de produtos GIS derivados como: aspecto, declividade, filtro de sobel, curvatura, rugosidade. Com o uso desses diferentes produtos, foi possível realizar uma interpretação morfoestrutural da área, com a identificação de várias feições geológicas, como o vale axial, axial volcanic ridge (AVR), as cadeias vulcânicas, zona neovulcânica, a localização do eixo de expansão, falhas principais, seamounts, descontinuidade não transformante (DNT) e um possível Complexo de Núcleo Oceânico (OCC). Adicionalmente, foram gerados 42 perfis batimétricos, distribuídos em 21 perfis no flanco oeste e 21 no flanco leste da dorsal, orientados perpendicularmente ao eixo de expansão com base no modelo cinemático MORVEL, que indica um azimute de espalhamento de 85,3°. Esses perfis foram utilizados para a identificação e caracterização de falhas principais e secundárias, bem como para a análise do fator M, permitindo avaliar a contribuição relativa dos processos tectônicos e magmáticos na acomodação da expansão oceânica. Os resultados fornecem uma base para a compreensão das interações entre magmatismo e tectonismo na evolução morfoestrutural da Dorsal Mesoatlântica na latitude de 1°N, contribuindo para o entendimento dos processos geodinâmicos que controlam a formação da crosta oceânica em dorsais de propagação lenta.