Caracterização textural, química e mineralógica de fosfatos de alumínio: exemplos da falha de Samambaia, Brasil
Fosfatos de Al; Paragênese; Mecanismo crack-seal; Mineralização relacionada a falhas
Este estudo investiga a mineralogia, textura e química de fosfatos de Al secundários (variscita, crandalita, milisita/wardita) do sistema de falhas intraplacas de Samambaia, nordeste do Brasil. Utilizando análises de petrografia, difração de raios X, QEMSCAN, MEV/EDS e EPMA, distinguimos relações paragenéticas e sequências de precipitação associadas a múltiplas reativações tectônicas e eventos de influxo de fluidos. Os resultados indicam que a variscita é o fosfato dominante e mais diverso em termos de textura, precipitando tanto pela alteração direta da caulinita quanto pela recristalização de aluminofosfatos ricos em Ca sob condições ácidas. A crandalita e a milisita se formaram anteriormente em condições quase neutras a levemente alcalinas, sendo posteriormente substituídas conforme o pH do fluido diminuiu. Evidências texturais, como cristais zonados, brechas em cocar e bandas rítmicas de Fe-Al, refletem ciclos de abertura de fraturas, selamento e fluxo de fluido renovado, consistentes com um mecanismo de selamento de fissura. Dados geoquímicos destacam a mobilidade dos elementos (P, Al, Fe, Ca) proveniente da dissolução de minerais primários e rochas hospedeiras intemperizadas, sugerindo precipitação principalmente de fluidos meteóricos enriquecidos em fósforo e ferro. Esta abordagem integrada revela a interação entre tectônica, evolução de fluidos e condições químicas na formação de complexos conjuntos de Al-fosfato, oferecendo novos insights sobre a interação fluido-rocha em zonas de falhas sismogênicas.