GEOPATRIMÔNIO E MUDANÇAS CLIMÁTICAS: O risco de degradação do geopatrimônio e vulnerabilidade a inundação por marés dos geossítios da região da Costa Branca no Rio Grande do Norte
Geodiversidade; Geopatrimônio; Mudanças climáticas e Risco de degradação.
Nas últimas décadas a conservação ambiental tornou-se um tema central nas discussões acadêmicas e políticas, porém é notório que historicamente a maior ênfase sempre esteve nos componentes bióticos dos ecossistemas, relegando a geodiversidade a um papel secundário. Entretanto, os crescentes impactos antrópicos atingem os ecossistemas de forma integrada, afetando simultaneamente elementos bióticos e abióticos. A geodiversidade – entendida pode Claudino-Sales (2021) como a variedade de elementos e processos associados ao ambiente abiótico a diversidade geológica, geomorfológica, pedológica, hidrológica, climática, em quaisquer formas, escalas espaciais e temporais e modos de interação – constitui a base que sustenta a biodiversidade e as atividades humanas, fornecendo recursos e serviços essenciais aos ecossistemas. Essa relação entre geodiversidade e biodiversidade ao longo do tempo geológico evidencia a forte interdependência entre os componentes do sistema terrestre. Eventos como grandes extinções em massa, derrames basálticos e processos biogeoquímicos, como o Grande Evento de Oxigenação, demonstram como fatores abióticos e biológicos interagem e transformam o planeta, os ambientes e concomitante clima do planeta. Nas últimas décadas, os estudos sobre geodiversidade evoluíram em duas principais vertentes: inicialmente voltadas à consolidação conceitual e teórica do tema e, posteriormente, ao desenvolvimento de metodologias de inventário, avaliação e mapeamento de geossítios e do geopatrimônio. Esses avanços possibilitaram ampliar o conhecimento sobre áreas de relevância geológica e geomorfológica, bem como suas potencialidades científicas, educativas, turísticas e conservacionistas. Contudo, tais estudos também evidenciaram a vulnerabilidade desses sítios frente às pressões antrópicas e mais recentemente às mudanças ambientais globais. As zonas costeiras destacam-se nesse contexto, sendo consideradas importantes hotspots por apresentarem elevada geodiversidade, intensa dinâmica natural, grande biodiversidade e por serem as faixas de território mais densamente povoadas da Terra. Diante das do contexto das mudanças climáticas e do aumento do nível médio do mar, surge a preocupação com os possíveis impactos sobre o geopatrimônio costeiro, essas questões tornam-se ainda mais dramáticas no contexto de trechos litorâneos de costa baixa. Assim, o presente texto parte de que os geossítios da região da Costa Branca no Rio Grande do Norte, apresentam elevada vulnerabilidade à degradação e/ou estão sob risco de inundação por marés, especialmente considerando os cenários climáticos projetados pelo Intergovernmental Panel on Climate Change - IPCC. Dessa forma, o objetivo geral da pesquisa é realizar a análise de vulnerabilidade e risco de degradação do geopatrimônio dos municípios de Porto do Mangue, Macau, Guamaré e Galinhos e modelar o aumento do nível médio do mar e perigo de inundação por marés considerando cenário RCP 8.5 do sexto relatório do IPCC (2022). Para isso, serão desenvolvidas etapas que incluem a identificação e avaliação do risco de degradação dos geossítios, a modelagem de cenários de inundação, a classificação da vulnerabilidade e do risco, a elaboração de prognósticos e por fim avaliação da precisão dos modelos produzidos. A tese será estruturada em formato de artigos científicos, abordando desde o enquadramento teórico até as análises de risco e a validação dos modelos cartográficos.