ENSAIOS DA CIDADE DO NATAL-RN: CALEIDOSCÓPIOS DA CIÊNCIA GEOGRÁFICA, DO COTIDIANO E OUTRAS POSSIBILIDADES
NATAL; CALEIDOSCÓPIO GEOGRÁFICO; CIÊNCIA EM AÇÃO; DINÂMICA URBANA; RELIGAÇÃO DE SABERES
Tendo a cidade de Natal-RN como um corpo de múltiplas entradas e em constante metamorfose, este texto de qualificação investiga a "ciência em ação" produzida no âmbito do Programa de Pós-Graduação e Pesquisa em Geografia (PPGe/UFRN), especificamente na linha de Dinâmica Urbana e Regional, compreendendo o período de 2015 a 2025. Tem-se por questão central evidenciar pela pesquisa em que medida essa cidade se movimenta cotidianamente com essa cidade sistemática? Para isso, pretende-se descrever a cidade de Natal no movimento de encontro entre a geografia sistemática e aquela cotidiana, criando uma narrativa ensaística. Opondo-se ao paradigma cartesiano disjuntivo, que isola o pesquisador do seu objeto, o trabalho parte da premissa de que a realidade citadina é inerentemente complexa, exigindo da ciência geográfica um contínuo autoexame. Para tanto, a pesquisa mobiliza a figura do caleidoscópio como dispositivo ontológico e epistemológico, no qual as teses e dissertações funcionam como "vidros multicor" que filtram, refratam e multiplicam os regimes de visibilidade da urbe. Fundamentado na teoria da complexidade de Edgar Morin, o estudo adota o ensaio como estratégia de método para promover a "religação" do saber. Considerando o atual estágio de qualificação, o escopo do texto concentra-se na primeira etapa da pesquisa (Parte I), composta por ensaios que realizam a decodificação analítica das redes de produção científica. Esta fase evidencia os grandes espectros teóricos que colorem o espaço natalense, notadamente as matrizes dialéticas da produção do espaço de Lefebvre e as concepções rizomáticas de Deleuze e Guattari. O delineamento das etapas subsequentes (Partes II e III) prevê o tensionamento desse arcabouço através de cartografias geo-artísticas do cotidiano e da fabulação de "outras Natais". Os resultados parciais alcançados nesta qualificação apontam que a capital potiguar se revela como um palimpsesto de múltiplas peles e narrativas, demandando uma inteligência espacial amparada em uma Geografia autorreflexiva, que reintegre ciência, filosofia e arte na leitura do espaço