PROCESSO DE DESERTIFICAÇÃO NA BACIA HIDROGRÁFICA DO PIRANHAS-AÇU, RIO GRANDE DO NORTE, BRASIL
Degradação da terra; Áreas Suscetíveis à Desertificação; Paisagem; Indicadores de Desertificação; Seridó potiguar.
A pesquisa analisa a Desertificação como um fenômeno socioambiental de degradação das terras secas, resultante da interação entre fatores naturais e humanos. Sob a ótica geográfica, debruça-se sobre a compreensão espacial e a dinâmica paisagística da Bacia Hidrográfica do Piranhas-Açu (BHPA), em sua extensão territorial potiguar. Para tanto, o estudo toma como ponto de partida o mapeamento das áreas fortemente degradadas (CGGE, 2016) e parte da abordagem central da avaliação do processo por meio de indicadores, com vistas a suscitar discussões inerentes aos princípios geográficos de investigação: localização e extensão. Assim, o objetivo geral consiste em analisar os níveis e a configuração espacial do processo de Desertificação na BHPA. Metodologicamente, a investigação fundamenta-se numa abordagem geossistêmica e multiescalar, assumindo a bacia hidrográfica como unidade espacial de análise inicial, e, em etapa posterior, as Áreas em Processo de Desertificação (APD), em seu interior, como categorias de aprofundamento analítico. O estudo articula revisão teórico-conceitual, análise dos condicionantes geoambientais, levantamento e sistematização de dados secundários e mapeamento e verificação in loco, orientando a construção e a aplicação de uma matriz metodológica em Desertificação. Os resultados parciais evidenciam os níveis distintos de suscetibilidade da bacia do Piranhas-Açu, considerando a predisposição geoambiental interpretada por cinco indicadores geobiofísicos. A análise espacial preliminar, consubstanciando estudos anteriores (Vasconcelos Sobrinho, 1978; CGGE, 2016) e trabalhos de campo realizados na área, permite indicar que as áreas fortemente degradadas da bacia podem configurar a expansão do Núcleo de Desertificação do Seridó com espacialização de Áreas-Núcleo, dada a natureza do fenômeno – hipótese que orienta as etapas subsequentes da pesquisa. Assim, a adoção de um sistema de indicadores, ajustado à realidade geoambiental local, constitui um caminho metodológico promissor ao refinamento do diagnóstico da Desertificação na bacia, contribuindo para a atualização do processo no Rio Grande do Norte e para o fortalecimento das políticas públicas de combate ao fenômeno e mitigação dos seus efeitos.