O ENSINO DA LÍNGUA BRASILEIRADE SINAIS -LIBRAS PARA ESTUDANTES OUVINTES COM DEFICIÊNCIA VISUAL NO ENSINO SUPERIOR: ESTRATÉGIAS DE MEDIAÇÃO E PROPOSTA DE UM GUIA INSTRUCIONAL.
Libras. Deficiência visual. Cegueira. Ensino superior. Acessibilidade. Mediação pedagógica.
Esta pesquisa investiga o ensino da Língua Brasileira de Sinais (Libras) para estudantes ouvintes com deficiência visual ou cegueira no contexto do ensino superior, considerando os desafios decorrentes da natureza visuoespacial da língua e a necessidade de construção de práticas pedagógicas acessíveis. Parte-se do pressuposto de que a aprendizagem da Libras por esse público exige a reorganização de estratégias de ensino que ampliem as formas de acesso ao conhecimento por meio de recursos táteis, auditivos e multissensoriais. O objetivo consiste em analisar as contribuições da literatura científica acerca do ensino de Libras para estudantes com deficiência visual no ensino superior e, a partir dos achados, elaborar um produto educacional voltado à mediação pedagógica inclusiva. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de inspiração fenomenológica e natureza propositiva, fundamentada em pesquisa bibliográfica e revisão sistemática da literatura, conduzida segundo as diretrizes do protocolo PRISMA 2020. As buscas foram realizadas nas bases SciELO, Portal de Periódicos CAPES, Google Acadêmico, Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD) e repositórios institucionais, contemplando o período de 2015 a 2025. Após os processos de identificação, triagem e elegibilidade, três estudos compuseram o corpus analítico da investigação. Os resultados evidenciam que a produção científica sobre o ensino de Libras para estudantes com deficiência visual no ensino superior ainda é reduzida e fragmentada, concentrando-se em relatos de experiência e estudos qualitativos. Os trabalhos analisados convergem para a necessidade de reorganização metodológica do ensino da Libras, destacando o uso de estratégias multissensoriais, audiodescrição didática, recursos táteis, mediações pedagógicas acessíveis e planejamento instrucional inclusivo. Com base nesses achados e na experiência docente da pesquisadora junto a estudantes com baixa visão e cegueira, foi desenvolvido um guia instrucional acompanhado de material didático tátil voltado ao ensino da datilologia e das configurações de mão da Libras, com o propósito de ampliar as possibilidades de aprendizagem e de estudo autônomo desse público. Conclui-se que a acessibilidade no ensino de Libras demanda a construção de práticas pedagógicas fundamentadas nos princípios do Desenho Universal para a Aprendizagem, na mediação docente e na valorização de diferentes formas de percepção e interação com a linguagem.