TECNOLOGIA ASSISTIVA E PÚBLICO-ALVO DA EDUCAÇÃO ESPECIAL NA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA: PROPOSTA DE PROGRAMA DE FORMAÇÃO CONTINUADA
Educação Especial; Educação profissional; Educação técnica; Tecnologia Assistiva.
As instituições de Educação Profissional e Tecnológica (EPT) registram um crescente número de matrículas de estudantes público-alvo da Educação Especial. Os instrutores de formação profissional, responsáveis pelos cursos técnicos, possuem domínio específico nos conteúdos das áreas técnicas, mas nem sempre dispõem de formação pedagógica voltada à diversidade dos estudantes. Nesse contexto, a Tecnologia Assistiva (TA) torna-se recurso fundamental para favorecer o acesso, a participação e a permanência desses estudantes na EPT. Esta pesquisa teve como objetivos analisar o nível de conhecimento dos instrutores de formação profissional acerca da TA e elaborar um programa de formação continuada a partir dos resultados obtidos. Trata-se de um estudo de caso, de caráter descritivo, com abordagem quantitativa e qualitativa, desenvolvido em uma instituição de Educação Profissional em Natal, Rio Grande do Norte. Os dados foram coletados por meio de questionário semiestruturado aplicado a 33 instrutores, correspondentes a 59% do quadro docente da instituição, e analisados conforme os pressupostos da Análise de Conteúdo de Bardin, articulando seis categorias temáticas a quatro eixos do referencial teórico. Os resultados evidenciaram que 94% dos participantes não receberam formação específica sobre TA, 58% nunca participaram de cursos voltados à Educação Especial na perspectiva inclusiva e 78% declararam ter nenhum ou pouco conhecimento sobre a área. Embora 73% já tenham atuado com estudantes público-alvo da Educação Especial, apenas 9% sentem-se preparados para identificar suas necessidades específicas. Os achados evidenciam lacunas formativas expressivas, uso limitado de recursos de TA e fragilidades no suporte institucional. Conclui-se que investir na formação continuada dos instrutores, fortalecer o suporte pedagógico institucional e ampliar o acesso aos serviços, recursos e estratégias de TA são condições essenciais para a inclusão de estudantes público-alvo da Educação Especial na EPT.