Carga de morbidades maternas e desfechos clínicos em prematuros internados em unidade de terapia intensiva neonatal
Gravidez; Complicações na Gravidez; Recém-Nascido Prematuro; Doenças do Prematuro.
Sabe-se que a ocorrência de condições clínicas maternas durante a gestação é fator determinante para o parto prematuro, impactando diretamente o desenvolvimento fetal. Recém-nascidos pré-termo (RNPT) expostos a contextos adversos apresentam maior vulnerabilidade a complicações como enterocolite necrosante (ECN), displasia broncopulmonar (DBP) e restrição de crescimento extrauterino (RCEU), que podem comprometer significativamente o crescimento e o desenvolvimento e desencadear o óbito neonatal. Apesar da relevância clínica e do potencial prognóstico dessas morbidades, ainda são escassas as evidências que explorem a relação entre a carga de morbidades maternas e a evolução do prematuro na unidade de terapia intensiva neonatal (UTIN). Visto isso, o objetivo deste trabalho é avaliar a relação entre a carga de morbidades maternas e as principais complicações clínicas em RNPT internados em UTIN. A pesquisa foi considerada estudo de coorte prospectivo foram incluídos neonatos prematuros internados em uma maternidade pública de referência e suas genitoras, de outubro de 2021 a novembro de 2023. Foram coletados dados maternos (idade, morbidades durante a gestação) e dados do RNPT durante a internação na UTIN (idade gestacional ao nascer, peso ao nascer e na alta, dias de uso de nutrição parenteral, tempo de internação e desfechos clínicos. Os dados foram analisados com testes de normalidade (Shapiro-Wilk) e de associação (Qui-quadrado e Exato de Fisher), além de testes não paramétricos (Mann–Whitney e Kruskal–Wallis) para comparações entre grupos, considerando p<0,05 como nível de significâncias. Foram incluídos 160 binômios mãe-filho, a maioria das puérperas (72,5%) apresentava ao menos uma morbidade, as mais frequentes foram as síndromes hipertensivas da gravidez (SHG) (42,5%) e infecção do trato urinário (ITU) (28,7%). Entre os RNPT, identificamos que 61,3% tinham graus de prematuridade mais severos, 48% apresentaram peso ao nascer abaixo de 1500g e 74,8% encontravam-se com peso adequado para a idade gestacional corrigida na alta da UTIN. As prevalências de ECN foram de 6%, DBP 14%, RCEU 25,9% e óbito 9,4%. Não foi encontrada associação estatisticamente significativa entre a carga de morbidades maternas e os desfechos clínicos avaliados. Ademais, encontramos associação significativa entre faixa etária materna com a presença e a carga de morbidades (p < 0,001), sendo que mulheres com 35 anos ou mais apresentaram maior prevalência (91,5%) e maior frequência de carga de morbidades (40,4%). Considerações finais: Apesar da maior prevalência de morbidades maternas em gestantes com idade avançada (≥35 anos), não foi encontrada uma associação significativa com os desfechos neonatais. No entanto, a ITU apresentou uma associação com menor tempo de internação e menor incidência de displasia broncopulmonar. Este achado ressalta a complexidade da relação entre os desfechos maternos e neonatais, o que justifica a condução de novas pesquisas.