Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : ANA CLARA RIBEIRO DE ALMEIDA
DATA : 29/08/2025
HORA: 09:00
LOCAL: Sala de aula II da Gep/mejc
TÍTULO:
Interações entre doenças infecciosas e diabetes gestacional: uma randomização mendeliana e coorte de validação
PALAVRAS-CHAVES:
Doenças infecciosas; diabetes mellitus gestacional; ferroptose; hábito alimentar; Apolipoproteínas E.
PÁGINAS: 52
RESUMO:
O diabetes mellitus gestacional (DMG) é uma doença metabólica que afeta milhões de gestações anualmente, com reconhecido impacto para as gestantes, seus neonatos e os serviços de atenção à saúde. Há muito tem-se reportado que essa condição leva a gestação a ser classificada de alto risco. Por outro lado, infecções podem se aproveitar das alterações imunológicas próprias da gestação para se multiplicar e alcançar condições de afetar a gestação e/colonizar o feto. Isso culmina na transmissão vertical, que pode causar inúmeros comprometimentos ao feto. São exemplos dessas infecções a leishmaniose, a toxoplasmose, a sífilis, o citomegalovírus e o vírus da imunodeficiência humana (HIV). Todavia, a maioria dessas infecções ainda são negligenciadas, gerando manutenção ou aumento exponencial de casos, quando dever-se-ia ter uma redução. Tendo em vista que tanto o DMG quanto essas infecções têm uma interface com alterações imunológicas na gestação, contudo ainda sejam escassas as pesquisas nessa área, propôs-se avaliar a correlação entre eles. Todavia, o DMG e a infecção por Leishmania relacionam-se a alguns outros fatores para além dos imunológicos, como alterações no metabolismo lipídico e na regulação oxidativa – podendo levar à ferroptose. A ferroptose é um tipo de morte celular induzida pelo excesso de ferro intracelular livre e de peroxidação lipídica, oriunda do estresse oxidativo. Isso pode estar relacionado tanto às patologias em si, como também ao perfil genético de alelos da Apolipoproteína E (APOE) e ao padrão alimentar – que pode ter maior ou menor capacidade antioxidante. Por isso, também propôs-se analisar biomarcadores relacionados à ferroptose e à infecção assintomática por L. infantum em gestantes saudáveis e acometidas por DMG; e a associação desses biomarcadores com o hábito de consumo alimentar - classificado por nível de processamento alimentar. Assim, à priori fez-se uma randomização mendeliana bidirecional, para inferir possível relação de causalidade entre o DMG e essas infecções. Após isso, foi realizado um escore de regressão (LDSC) para avaliar a correlação genética entre eles. Serão coletadas informações de prontuário e sangue periférico de gestantes e aplicados questionários para avaliar o hábito alimentar de acordo com a classificação NOVA. Posteriormente, serão analisados perfil sociodemográfico, hábito alimentar, biomarcadores lipídicos, peroxidação lipídica e alelos da APOE. Também analisaremos a presença de anticorpos anti-Leishmania no cordão umbilical. As análises realizadas até a escrita deste documento não permitem inferir causalidade entre o DMG e essas infecções. Porém, foi observada uma possível pleiotropia entre a variante rs191122483 com as infecções. As amostras utilizadas não tinham casos suficientes diante do número de controles, o que dificultou o LDSC. Contudo, ainda foi possível traçar uma estimativa de correlação genética/herdabilidade negativa entre os traços de DMG e HIV, porém sem significância estatística. Esses resultados preliminares fortalecem a necessidade das análises que serão feitas à posteriori e em outros estudos, para melhor compreensão da interface entre essas doenças e possíveis estratégias para seu manejo.
MEMBROS DA BANCA:
Externa à Instituição - CLARICE NEUENSCHWANDER LINS DE MORAIS - IGM
Presidente - 1046091 - JOAO FIRMINO RODRIGUES NETO
Externa ao Programa - 3330361 - VASILIKI LAGOU - null