PERFIL DE MORTE CELULAR EM MULHERES COM DIABETES TIPO 1, 2 E GESTACIONAL
Diabetes Gestacional; Diabetes Melitus; Morte celular; Citometria de Fluxo
Introdução: O período gestacional é marcado por as alterações fisiológicas que buscam atender as demandas da interação mãe-bebê para o desenvolvimento equilibrado do bebê. Uma gestação acompanhada por Diabetes Mellitus, potencializa o estresse oxidativo mediado pela resposta inflamatória que culmina com a produção de espécies reativas de oxigênio e nitrogênio, gerando um desequilíbrio materno e placentário caracterizado danificando moléculas como DNA e RNA. Por isso, o impacto provocado pelo Diabetes Mellitus nas células e seus desfechos vêm sendo investigado em mulheres grávidas. Objetivo: Analisar o perfil e características celulares junto ao processo inflamatório do Diabetes Mellitus na gestação em uma maternidade escola. Metodologia: Trata-se de um estudo observacional e descritivo, de abordagem quantitativa, operacionalizado em duas etapas: estudo transversal e estudo caso-controle. Foram recrutadas 240 gestantes diabéticas e 12 não diabéticas para a caracterização sócio-demografica. Das 240 gestantes diabéticas, 23 foram analisadas quanto ao grau de morte celular nas populações de linfócitos, monócitos e granulócitos de sangue total. Foi utilizado a marcação de Anexina V FIT-C e Iodeto de Propídio e caracterizadas por citometria de fluxo. Resultados: Da população estudada, 46,25% estavam na faixa de 30 a 39 anos, 57,08% são pardas, 50% tinham a renda salarial ≤ 01 salário mínimo, 57,08% possuíam ensino médio, 62,92% residiam em zonas interioranas; 65,83% possuíam saneamento, 97,92% tinham energia elétrica e 71,25% viviam em ruas pavimentadas. 67,74% não perceberam sintomas do diabetes antes do diagnóstico, 77,41% foram diagnosticadas durante a gestação, 57,14% possuíam histórico familiar de diabetes e 67,86% possuíam histórico familiar de hipertensão. Das 240 gestantes, 79,17% possuíam o tipo DMG, 5,83% tinham DM1 e 15,00% tinham DM2. Além disso, 40,42% possuíam HAS e 19,58% afirmaram ter outras comorbidades associadas. A caracterização do perfil celular na população de estudo, mostrou na distribuição de linfócitos e granulócitos uma maior quantidade de células vivas entre a população controle e as mulheres com DMG (p=0.001/p=0.04) e com DM1/DM2 (p=0.04). Ainda na população de linfócitos, a apoptose recente mostrou maior diferença estatística do que a apoptose tardia. Já a necrose mostrou diferença estatisticamente significativa entre o grupo controle e grupo de mulheres com DMG (p=0.03). Os monócitos não apresentaram diferença estatisticamente significativa, entre os grupos, no tocante a células vivas, em apoptose recente e tardia. As participantes diabéticas que tiveram o sangue analisado estavam entre a 12ª a 38ª semana gestacional e a apoptose mostrou-se presente em todas elas. Considerações finais: De forma geral, houve uma maior quantidade de células vivas na população controle quando comparado aos grupos de gestantes com diabetes na população de linfócitos e granulócitos. Além disso, não foi observada diferença da da apoptose entre os grupos de mulheres apenas com DMG e o grupo de mulheres com diabetes tipo 1 ou 2, sugerindo que, independentemente do tipo de diabetes, a gestante sofreu perda celular durante a gravidez.