Arquitetura Distribuída para Interação Gestual em Realidade Aumentada Aplicada ao Controle de Dispositivos Físicos
Realidade aumentada; Interação gestual; Arquitetura distribuída; Controle por gestos
Controlar dispositivos físicos por gestos em realidade aumentada exige mais do que
reconhecer a configuração da mão em uma imagem. Em aplicações interativas, especi-
almente quando há atuação sobre um sistema físico, pequenas variações nos landmarks,
perdas momentâneas de rastreamento, mudanças de iluminação, oclusões e diferenças
individuais na execução dos gestos podem produzir comandos instáveis ou não intencio-
nais. Esta tese investiga esse problema e propõe uma arquitetura distribuída para interação
gestual em realidade aumentada aplicada ao controle de dispositivos físicos. A proposta
organiza o sistema em camadas responsáveis pela aquisição perceptiva, processamento
geométrico-temporal dos landmarks, interpretação da interação, comunicação distribuída
e acionamento físico. O modelo de processamento utiliza normalização espacial, descri-
tores geométricos e filtragem temporal para reduzir oscilações nos dados perceptivos. O
modelo de interação, por sua vez, estrutura a execução por meio de estados operacionais,
incorporando persistência temporal, confirmação, cancelamento, reversão e ajuste con-
tínuo de parâmetros. A arquitetura foi implementada em uma plataforma experimental
baseada em WebAR, utilizando dispositivo de realidade aumentada, MediaPipe Hands
para extração dos landmarks, middleware de comunicação e painel físico de iluminação
acionado por dispositivo embarcado. A avaliação experimental foi realizada em seis cená-
rios de teste, envolvendo seleção individual, seleção coletiva, entrada em modo de edição,
ajuste de intensidade, confirmação e cancelamento. Os resultados indicaram taxa global
de sucesso de 93,33%, falsas ativações de 1,67%, erro médio global de intensidade de
1,68 % e latência média total de 143,47 ms entre comando validado e acionamento físico.
A filtragem temporal reduziu em aproximadamente 50% a variabilidade do sinal associ-
ado ao gesto de pinça. Esses resultados mostram que a integração entre processamento
geométrico-temporal, interação baseada em estados e comunicação distribuída contribui
para tornar o controle gestual em realidade aumentada mais estável, previsível e adequado
a aplicações experimentais com dispositivos físicos.