FLUXOGRAMA COMO RECURSO PARA QUALIFICAÇÃO MULTIPROFISSIONAL NO MANEJO DO CATETER VENOSO CENTRAL
Catéter Venoso Central; Segurança do Paciente. Educação Permanente; Fluxograma.
Introdução: As Infecções Primárias da Corrente Sanguínea (IPCS) associadas ao Cateter Venoso Central (CVC) figuram entre os eventos adversos mais graves relacionados à assistência à saúde. Embora grande parte dessas infecções seja considerada evitável por meio da adoção de práticas baseadas em evidências, a adesão às recomendações para inserção, manutenção e remoção do CVC ainda representa um desafio nos serviços de saúde. Nesse cenário, estratégias de Educação Permanente em Saúde e o uso de tecnologias educacionais, como fluxogramas assistenciais, podem contribuir para a padronização das condutas, apoiar a tomada de decisão clínica e fortalecer a cultura de segurança do paciente. Objetivo: Desenvolver um fluxograma como recurso de qualificação multiprofissional para o manejo seguro do Cateter Venoso Central. Metodologia: Trata-se de uma pesquisa-ação, de abordagem quanti-qualitativa, desenvolvida na Unidade de Terapia Intensiva de um hospital público do interior do Rio Grande do Norte. O estudo foi conduzido em cinco etapas: (1) diagnóstico situacional da equipe multiprofissional com 28 profissionais (n:28) por meio da avaliação dos conhecimentos e das práticas relacionadas ao manejo seguro do Cateter Venoso Central (CVC); (2) elaboração de um fluxograma fundamentado nas fragilidades identificadas e nas recomendações das diretrizes nacionais e internacionais; (3) avaliação da aplicabilidade e usabilidade do fluxograma por avaliadores institucionais; (4) implementação de uma intervenção educativa baseada nos princípios da Educação Permanente em Saúde, com 22 profissionais (n:22), utilizando apresentação dialogada do fluxograma, discussão de casos clínicos e simulação realística; e (5) avaliação pós-intervenção, para verificar a aquisição de conhecimentos e a percepção dos participantes quanto à contribuição da tecnologia educacional para a prática assistencial.. Resultados e Discussão: O diagnóstico situacional evidenciou conhecimento satisfatório dos profissionais acerca do manejo do CVC, porém identificou fragilidades relacionadas à padronização das condutas, ao uso de protocolos institucionais e à adesão a algumas medidas preventivas. O fluxograma apresentou elevada aceitação quanto à clareza, organização, aplicabilidade e potencial de utilização na prática assistencial. Após a intervenção educativa, observou-se melhora do conhecimento dos participantes, especialmente em relação às medidas de prevenção das infecções associadas ao CVC, demonstrando o potencial da estratégia para favorecer a tradução do conhecimento científico para a prática clínica. Conclusão: O fluxograma mostrou-se uma tecnologia educacional viável e aplicável ao contexto hospitalar, contribuindo para a padronização das práticas assistenciais, o fortalecimento da Educação Permanente em Saúde, o apoio à tomada de decisão clínica e a promoção da cultura de segurança do paciente, configurando-se como uma estratégia promissora para qualificação multiprofissional e prevenção de infecções relacionadas à assistência à saúde.