Projeto Pedagógico do Curso

Considerando as diretrizes gerais do SESu/MEC (Torritezi, 2005) e o os objetivos já referidos para o Curso de Geofísica da UFRN, seguem abaixo as principais características do perfil desejado para o profissional de Geofísica: i) visão abrangente das Ciências da Terra e de suas interações com ciências correlatas;

ii) pleno domínio da linguagem técnica geofísica, aliado à capacidade de adequação desta linguagem à comunicação com outros profissionais e com a sociedade;

iii) possuir postura ativa e autônoma na busca de conhecimento e constante atualização seja trabalhando individualmente, seja trabalhando em equipe;

iv) desenvoltura na interpretação integrada de dados geofísicos e geológicos;

v) interesse e capacidade para levantamentos geofísicos de campo;

vi) conhecimentos em matemática, física, geologia e estatística, que permitam abordagens quantitativas das informações geofísicas e geológicas;

vii) familiaridade com métodos e técnicas de informática, especialmente no tocante a modelagem e processamento de dados geofísicos.

Para atingir este perfil, a presente proposta pedagógica deverá privilegiar, durante a formação do profissional, a sua capacidade de abordar e resolver problemas geofísicos, com competência, aliando uma sólida base teórica a um treinamento prático e intensivo. Além do conhecimento teórico e prático, em sua bagagem intelectual, o egresso deverá ter atuação ética, autônoma, crítica, criativa e empreendedora, visando dar soluções às questões colocadas pela sociedade, otimizando a exploração dos recursos naturais, respeitando o meio ambiente.

Tendo em vista os objetivos a serem atingidos e o perfil desejado para o profissional Geofísico, o curso deverá priorizar o desenvolvimento das seguintes competências e habilidades:

1) todas as competências e atividades associadas previstas no Projeto de Lei No. 4.796 (2005), que regulamenta a profissão de Geofísico e se encontra em trâmite no Congresso Nacional (ver cópia do Projeto de Lei no Anexo deste PPP);

2) capacidade de comunicar-se eficiente e sinteticamente de forma escrita, oral e gráfica; em particular, habilidade de comunicar para a sociedade a importância e papel das Ciências da Terra para o Homem;

3) capacidade de percepção tridimensional e raciocínio lógico de problemas geofísicos, aliados à obtenção e sistematização de informações;

4) capacidade de realizar modelagens de fenômenos geofísicos;

5) formular, elaborar, fiscalizar e executar estudos, planejamentos, projetos e/ou pesquisas científicas básicas ou aplicadas que visem ao melhor conhecimento e a utilização racional dos recursos do nosso planeta;

6) pesquisar e otimizar o aproveitamento tecnológico dos recursos minerais e energéticos sob o enfoque de mínimo impacto ambiental;

7) pesquisar novas alternativas de exploração, conservação e gerenciamento de recursos hídricos;

8) fornecer as bases para a previsão e prevenção de riscos de acidentes por desastres naturais e aqueles provocados pelo Homem;

9) desenvolver e aplicar métodos e técnicas direcionadas a gestão ambiental; 10) emitir parecer em assuntos legais relacionados com a especialidade, realizar perícias e arbitramentos referentes as matérias previstas no acima referido projeto de lei.

Espera-se, assim, a organização de uma proposta curricular capaz de adaptar-se às dinâmicas demandas do perfil profissional exigido pela sociedade, onde a graduação desempenha um papel inicial no processo de formação permanente.

O ensino da Geofísica deve ser baseado numa forte interação teoria e prática, bem como numa integração com a Geologia. Neste sentido, quase todas as disciplina dos Núcleos Específico Geral e Optativo prevêem pelo menos um crédito de prática. Entenda-se aqui como atividade de prática a modelagem e/ou interpretação de dados geofísicos em softwares especializados, levantamentos geofísicos de campo e experiências de laboratórios (notadamente na área de petrofísica).

A integração geologia-geofísica deve permear todo o curso, de modo que o aluno possa obter uma visão integrada dos problemas em Ciências da Terra. Nesta visão, o aluno deverá adquirir especial capacidade de entender as similaridades e diferenças dos métodos de abordagem dos problemas da Terra, conforme praticados pelos geofísicos e geólogos. Tal experiência constitui cultura e só pode ser adquirida mediante prática e interação humana. O conhecimento obtido da leitura de livros textos, artigos científicos, acesso à internet, uso de softwares, entre outros, deve ser realizado no contexto desta interação humana—de modo a reforçar essa interação e não a substituí-la. Assim, é fundamental a experiência paralela do aluno com as atividades complementares e transversais, para dar substância e sustentação aos conteúdos e metodologias formais adquiridos durante o curso.

Mediante o acima exposto, têm especial importância no Curso as disciplinas Integração de Dados Geofísicos e Geológicos e Relatório de Graduação. Especialmente nestas disciplinas, o aluno necessitará registrar, na forma de relatório, os conhecimentos adquiridos. Na primeira delas, o aluno terá uma experiência de interpretação integrada de dados geofísicos e geológicos, usando dados levantados em área(s) piloto(s), comum(ns) a todos os alunos. Por outro lado, como já foi dito, na segunda disciplina (Relatório de Graduação), o aluno deverá realizar um trabalho individual de aprofundar o estudo de uma metodologia ou problema geofísico prático, de modo a consolidar os seus conhecimentos. Para dar maior dinâmica e possibilidade de interação com as demandas sociais e de mercado/setor produtivo, as atividades realizadas no Relatório de Graduação poderão ser focadas na resolução de problemas reais, que constituam um desafio à sua capacidade criativa (e empreendedora). Destaque-se nestas atividades a possibilidade do aluno exercer papel ativo na gestão de recursos humanos, materiais e financeiros, constituindo assim uma real experiência de enfrentamento de um problema.

Por outro lado, a adição de disciplinas das áreas de Física, Matemática e Estatística visa a fornecer uma base sólida para que o aluno de geofísica possa abordar os problemas de Ciências da Terra de maneira quantitativa. A abordagem quantitativa constitui uma especificidade na formação do Geofísico, que o diferencia e o individualiza em relação aos demais profissionais da área de Ciências da Terra. Esta abordagem quantitativa deve ser realizada com especial atenção à aderência entre realidade geológica, de um lado, e modelo físico-matemático, de outro. A sofisticação físico-matemática jamais deve ser um objetivo em si, mas um meio de melhor representar a natureza. Em particular, o uso de softwares deve ser feito de forma judiciosa, sempre atenta às potencialidades, artefatos numéricos e limitações de cada metodologia e/ou técnica.

A avaliação do desenvolvimento do PPP se dará em todas as suas dimensões: objetivos, perfil do profissional a ser formado, competências e habilidades, organização do curso, sistemática de avaliação e suporte para funcionamento do curso.

Em reunião anual, específica para tal finalidade, o Colegiado de Curso deverá discutir, implantar e pôr em rotina mecanismos de acompanhamento permanente do projeto. Os pontos positivos e as deficiências detectadas deverão ser objeto de ampla discussão pelos membros do Colegiado, visando manter e/ou melhorar os itens de bom desempenho e criar mecanismos compensatórios dos pontos falhos. Esta sistemática de avaliação contínua do projeto dará maior flexibilidade ao mesmo, permitindo, assim, a sua rápida adequação às necessidades dos alunos, professores e às demandas técnicocientíficas da sociedade.

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