Projeto Pedagógico do Curso

A Licenciatura em Geografia na modalidade EaD se propõe formar professores para atuar no Ensino Fundamental e Médio da rede pública e privada de ensino. Essa formação requer o contato com equipamentos, ideias, conteúdos, metodologias que permitam a leitura e representação do espaço de forma abrangente. Tal condição qualifica o profissional com dispositivos científicos e técnicos para interferir ética e criticamente, construindo um conhecimento que leva em consideração a preservação e a transformação da vida planetária, respeitando a diversidade socioespacial e ambiental existente.

Contemplando o previsto nas DCN's de Geografia (Parecer CES 492/2001) o egresso deve ter a capacidade de “compreender os elementos e processos concernentes ao meio natural e ao construído, com base nos fundamentos filosóficos, teóricos e metodológicos da Geografia. Dominar e aprimorar as abordagens científicas pertinentes ao processo de produção e aplicação do conhecimento geográfico”, aspectos esses que são considerados na formação do aluno contemplados na estrutura curricular do curso.

Tratando-se de um curso de formação de professores em Geografia, é fundamental a construção de competências que ultrapassem os domínios específicos dos conteúdos da área, mobilizando saberes para a resolução de problemas diversos. O espaço de formação docente deve propiciar a vivência de situações que tenham simetria entre a formação oferecida e a prática do professor. Assim, espera-se que o professor de Geografia adquira competências e habilidades para lidar, de forma articulada, com os saberes pedagógicos e de natureza geográfica.

A formação do professor deve considerar aspectos que primem por uma atuação ética, crítica, autônoma e criativa; pelo respeito à pluralidade; por uma postura propositiva ante os desafios e problemas inerentes à sociedade.

O professor no seu cotidiano deve saber lidar com a organização e orientação de situações de aprendizagem envolvendo os alunos em atividades individuais e coletivas; selecionar didáticas pertinentes à natureza do conteúdo; trabalhar em equipe participando da administração escolar e servir de elo entre a escola, a família e a comunidade; utilizar novas tecnologias; conduzir processos de investigação e primar por uma formação continuada.

O perfil do profissional formado baseia-se na construção de competências que ultrapassem os domínios específicos dos conteúdos da área, mobilizando saberes para a resolução de problemas diversos. Como especificidade do perfil do professor de Geografia, está o desenvolvimento da capacidade de ler o espaço de forma contextualizada, levando em conta as múltiplas variáveis que o conformam, e de analisar criticamente as transformações espaciais e suas implicações junto à sociedade. Considerando-se que o processo de formação ocorre na modalidade de Ensino a Distância, torna-se fundamental o desenvolvimento de competências e habilidades para o uso autônomo e crítico das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC’s) no processo de ensino-aprendizagem.

Assim, a formação do professor de Geografia deve sinalizar para o desenvolvimento de competências elencadas a seguir:

  • Exercer atividades de docência, coordenação de projetos e consultorias na área de educação geográfica; 
  • Aplicar metodologia científica na realização de atividades de planejar, executar e avaliar o processo de ensino e aprendizagem;
  • Interpretar representações ou tratamentos gráficos e matemático-estatísticos;
  • Desenvolver investigações científicas sobre os aspectos sócio-econômicos, políticos e ambientais, e os processos deles resultantes;
  • Utilizar, produzir e disseminar conhecimentos voltados para o ensino de Geografia no Ensino Fundamental II e no Ensino Médio;
  • Estimular a análise crítica do espaço a partir de um compromisso ético com a sustentabilidade sócio-ambiental.

No que concerne às habilidades que permitem o exercício eficiente de sua atividade, destaca-se:

  •  Identificar e explicar a dimensão geográfica presente nas diversas manifestações do conhecimento; 
  •  Articular elementos empíricos e conceituais, concernentes ao conhecimento científico dos processos espaciais;
  • Reconhecer as diferentes escalas de ocorrência e manifestação dos fatos, fenômenos e eventos geográficos, sejam eles pertencentes aos domínios naturais ou sociais; 
  • Planejar e realizar atividades de campo referentes à investigação geográfica; 
  • Dominar a construção de argumentos crítico-analíticos, demonstrando a concatenação de ideias, de acordo com as normas gramaticais da língua portuguesa; 
  • Compreender os vínculos existentes entre a produção do espaço e o processo de reprodução e transformação social; 
  • Ler, analisar e interpretar produtos de sensoriamento remoto e de sistemas de informação geográfica, e outros documentos gráficos e matemático-estatísticos; 
  • Compreender as dimensões política, social, econômica, cultural, psicológica e pedagógica dos conteúdos escolares e do processo de aprendizagem, no cotidiano da escola; 
  • Dialogar com os sujeitos envolvidos no processo educacional, compreendendo as diversas relações nele presentes, tais como: professor-aluno, aluno-aluno, professorprofessor; escola-família, escola-comunidade;
  • Incorporar ao processo de ensino-aprendizagem, as experiências vividas pelos sujeitos nele envolvidos; 
  • Organizar o conhecimento espacial, adequando-o ao processo de ensinoaprendizagem em Geografia, para o Ensino Fundamental e Médio; 
  • Dominar os fundamentos didático-pedagógicos para o exercício da docência no ensino de Geografia no Ensino Fundamental II e Médio.

O Curso de Geografia em sua modalidade a distância tem uma carga horária total de 3260h, conforme orienta Resolução CNE/CP nº 2, de 1º de julho de 2015 – Licenciaturas, o Parecer n° CNE/CP 28/2001 e Resolução correspondente. A duração padrão é de 4 anos e a duração máxima é de 6 anos, conforme Regulamento dos Cursos Regulares de Graduação da UFRN, o que corresponde, respectivamente a oito e doze períodos letivos regulares (Resolução nº 171/2013 – CONSEPE, de 05 de novembro de 2013). Os princípios que regem a estrutura curricular estão ancorados na(o):

  • Interdisciplinaridade; 
  • Indissociabilidade ensino-pesquisa-extensão; 
  • Flexibilização curricular; 
  • Articulação entre teoria e prática; 
  • Desenvolvimento de atividades práticas em espaços diversificados de formação e em ambientes externos à Universidade; 
  • Inovação científica e tecnológica.

No que diz respeito a Extensão o curso se compromete, dentro do prazo limítrofe imposto pela DCN de Extensão (Resolução Nº 038/2019-CONSEPE, de 23 de abril de 2019), a organizar a estrutura curricular para que assim cumpra a legislação.

Quanto as Atividades Teórico-Práticas (ATP) são destinadas 200 horas que visam integrar ensino, pesquisa e extensão, permitindo ao aluno uma maior inserção no meio acadêmico e na comunidade. A carga horária deverá ser cumprida ao longo do curso, e computada desde que seja requerida pelo aluno e comprovadas oficialmente pelo mesmo. A avaliação das atividades se rege por resolução própria, aprovada no âmbito do colegiado do curso.

No que diz respeito a orientação das DCN´s quanto a fundamentos da educação; formação na área de políticas públicas e gestão da educação, seus fundamentos e metodologias; direitos humanos; diversidades étnico-racial, de gênero, sexual, religiosa, de faixa geracional; Língua Brasileira de Sinais (Libras); educação especial e Transtorno do Espectro Autista; e direitos educacionais de adolescentes e jovens em cumprimento de medidas socioeducativas. O currículo de Geografia organizou esses conteúdos em componentes curriculares, distribuídos em componentes curriculares obrigatórios.

Quanto ao uso de tecnologias de informação e comunicação que garantem a acessibilidade digital e comunicacional, é possível destacar as seguintes ações:

  • Estudo individual com material autoinstrucional organizado em unidades de estudos correspondentes a aulas semanais; 
  • Atividades no Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) por meio da execução de exercícios, de estudos individuais por meio de videoaulas, participação em fóruns e chats; 
  • Encontros coletivos presenciais por meio de webaulas e videoconferências, de acordo com as atividades didáticas planejadas e pré-estabelecidas pelo professor e cuja realização envolve professor, tutor e alunos; 
  • Encontros coletivos presenciais coordenados pelo tutor presencial, de acordo com as atividades didáticas planejadas e pré-estabelecidas pelos professores e, ainda, por meio de atividades de extensão (ATP e outros) planejadas pela coordenação do curso e do polo; 
  • Organização de grupos de estudos, coordenados pelo tutor presencial, com o objetivo de realizar atividades propostas nas aulas (material didático) e planejar atividades de estágio supervisionado. 
  • Definição de 11,14% da carga horária total do curso a ser cumprida em disciplinas optativas pelos alunos.

Para dar consistência ao processo de formação o projeto prevê a articulação entre Teoria e Prática e a Inovação Científica e Tecnológica, como sendo transversal ao currículo. No entanto, considera-se que alguns aspectos são importantes para explicitar essa intenção, quais sejam:

  •  Definição de 420 horas de prática como componente curricular que são distribuídas ao longo do curso, nas disciplinas de Instrumentação para o Ensino de Geografia I, II, III e IV (300 h); 30 horas práticas para a disciplina de Didática e Ensino de Geografia; 30 horas práticas para a disciplina de Pesquisa e Ensino de Geografia; 30 horas práticas para as disciplinas de Leituras Cartográficas e Interpretações Estatísticas I e II. 
  • Aplicação de estratégias de ensino utilizando diferentes suportes como plataforma Moodle, vídeo aula, web conferência, aulas interativas que estimulam o desenvolvimento de inovações aplicadas ao ensino de geografia. As características fundamentais desse processo correspondem a fundamentos teóricos e práticos que levam o professor a saber lidar com as tecnologias da informação voltadas para a educação e o ensino a distância, bem como subsídios à leitura crítica de livros e textos científicos, à produção de materiais instrucionais voltados para o ensino de Geografia, tendo a sala de aula do professor como laboratório para criação e experimentação.

Organização do Estágio Supervisionado e Trabalho de Conclusão do Curso (TCC)

A partir do 6º período o estágio supervisionado surge como elemento aglutinador na formação docente, que considera a ação e a prática num processo contínuo de reflexão e construção, por meio da vivência da realidade social, educacional e escolar, e possibilita 48 ao discente pensar em aspectos relevantes, tais como: o que envolve o processo de ensino e aprendizagem e a organização administrativa e pedagógica da escola. Os estágios são atividades de cumprimento obrigatório, fundamentais para a conclusão do curso, e segue o que estabelece o Regulamento dos Cursos Regulares de Graduação da UFRN, Secção IV, Artigo 66, Inciso II e se desenvolve em escolas estaduais e municipais, conveniadas com a UFRN.

As orientações são de caráter coletivo, onde o professor auxiliado pelo tutor presencial orienta um grupo de estudantes em atividades de preparação ou prática para o exercício docente.

O Estágio Supervisionado é dividido em três etapas: Estágio Supervisionado I – Formação de Professores em Geografia (100 horas/aula) com oferta no 6º período, Estágio Supervisionado II – Geografia no Ensino Fundamental (150 horas/aula) no 7º período e Estágio Supervisionado III – Geografia no Ensino Médio (150 horas/aula) no 8º período.

No curso de Licenciatura em Geografia a Distância não se configura qualquer outra modalidade de trabalho de conclusão de curso, além dos relatórios que sistematizam as experiências decorrentes de cada estágio supervisionado. Portanto, não existe TCC em formato de monografia, artigo científico ou equivalentes.

Nos Estágios é permitido o aproveitamento de até 200h para o professor em serviço no exercício de sala de aula em Geografia, seja no Ensino Fundamental II ou no Ensino Médio. Será aproveitada a carga horária na terceira etapa do estágio, mediante solicitação do interessado a coordenação do curso, no semestre anterior a oferta da atividade, e mediante devida comprovação.

Avaliação do Processo de Ensino-Aprendizagem

A avaliação é entendida de acordo com o que diz o Art. 91 do Resolução nº 171/2013, de 05 de Novembro/CONSEPE como um processo “formativo contínuo que compreende diagnóstico, acompanhamento e somatório da aquisição de conhecimentos, habilidades e atitudes pelo estudante, mediado pelo professor em situação de ensino, expressa em seu rendimento acadêmico e na assiduidade” podendo ocorrer a partir das seguintes estratégias:

  • auto-avaliação, através de exercícios disponíveis ao final de cada aula através do AVA; 
  • avaliações individuais escritas, presenciais, sendo obrigatória ao menos uma por cada período letivo em cada disciplina; 
  • avaliação a partir de atividades individuais e em grupo devidamente orientadas pelo professor com apresentação presencial e/ou por webconferência; 
  • avaliação das atividades de prática docente desenvolvidas na escola campo de estágio.

A atribuição das notas referentes aos componentes curriculares obedece à Resolução nº 171/2013, de 05 de Novembro/CONSEPE, que regulamenta a avaliação de aprendizagem para os cursos de graduação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

Visando analisar as dificuldades enfrentadas quanto infraestrutura, equipamentos, pessoal, problemas de gestão, metodologias adotadas, necessidades de capacitação, dentre outros, a SEDIS em conjunto com as coordenações de curso realiza, semestralmente, reuniões envolvendo professores, tutores e coordenadores de polos.

Os encontros são voltados para capacitação no AVA e criação de estratégias administrativas para dirimir problemas que estão presentes nos polos de Apoio Presencial. As dificuldades e experiências didático-pedagógicas ficam sob a responsabilidade da coordenação de curso, que faz desse momento uma ação de planejamento e avaliação para as ações futuras. Isso porque, essas atividades ocorrem sempre antes de iniciar o semestre letivo.

De modo mais específico a coordenação de Geografia realiza atividades presenciais nos polos ou por web conferência durante cada semestre para ouvir os alunos, esclarecer dúvidas e criar estratégias para implementação do currículo e funcionamento geral do curso.

 

Avaliação do Projeto Pedagógico

A avaliação do projeto pedagógico do curso se dará numa perspectiva contínua, objetivando o seu redimensionamento em torno das potencialidades e fragilidades configuradas no seu processo de implementação, levando-se em consideração as reuniões administrativas e pedagógicas realizadas com alunos, professores e tutores, a avaliação institucional e as reflexões geradas no âmbito do Núcleo Docente Estruturante - NDE. 

O referido projeto deverá ser avaliado a cada biênio, por meio de um processo de análise e discussão acerca das proposições relativas ao perfil, objetivos, competências e habilidades desejadas e as ações implementadas no curso. Além desses aspectos, também devem ser avaliadas as condições infra-estruturais disponibilizadas para o desempenho das atividades acadêmicas do curso.

Outros procedimentos de avaliação a serem utilizados serão definidos no decorrer do processo de desenvolvimento do projeto, a partir de necessidades evidenciadas pelos agentes envolvidos. De modo geral, serão utilizados os dados oriundos das autoavaliações e avaliações externas (avaliação de curso, ENADE, CPC e outras) como insumo para aprimoramento contínuo do planejamento do curso, possibilitando um direcionamento das estratégias de ações. Além desses instrumentos, serão utilizadas as estratégias previstas no Plano de Ação Trienal do Curso.

É válido destacar também como instrumento avaliativo a cooperação entre o curso, a Comissão Própria de Avaliação – CPA e a PROGRAD por meio da Diretoria de Desenvolvimento Pedagógico.

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