Projeto Pedagógico do Curso

O perfil do egresso do curso de LETRAS-FRANCÊS (licenciatura) pressupõe um profissional do magistério com sólida formação teórica e prática que lhe permita, para além de conhecer bem a língua francesa nas suas modalidades oral e escrita, compreender o fenômeno da linguagem humana numa perspectiva multifacetada. O egresso deverá conceber a sala de aula como um espaço de formação integral do estudante em permanente interação com as práticas culturais da sociedade na qual se inscrevem todos os atores do processo educativo.
Ao se formar, deve ser capaz não apenas de tecer análises linguísticas e literárias, mas de assumir, em seu exercício profissional, o papel de um agente de educação e cultura comprometido com a ética e o respeito à
diversidade.
O profissional de LETRAS-FRANCÊS deve acompanhar as discussões acadêmicas produzidas nos diferentes campos dos estudos linguísticos e literários, as quais imprimem continuamente novas direções à pesquisa científica. Tal interesse contribui para formar o posicionamento crítico que esse profissional deve cultivar frente ao seu campo de atuação, sem perder de vista a dinâmica do mundo contemporâneo, as disparidades e tensões sociais que o caracterizam.
Tendo em vista que, no curso de LETRAS-FRANCÊS, o conhecimento da língua francesa e das suas literaturas não prescinde do estudo das literaturas francófonas e da variação linguística,espera-se que o licenciado adquira o domínio de argumentos de autoridade favoráveis ao fenômeno intercultural, à diversidade e à inclusão, portanto contrários ao racismo, à xenofobia e a qualquer natureza de discriminação. A perspectiva norteadora é a da essencial igualdade entre os indivíduos.

Espera-se do licenciado em LETRAS-FRANCÊS as seguintes competências e habilidades:
- domínio do uso oral e escrito da língua francesa em sua variedade padrão, bem como em suas variedades linguísticas, nas perspectivas sincrônica e diacrônica;
- conhecimento teórico e crítico dos componentes fonológico, morfossintático, lexical e semântico da língua francesa;
- capacidade de reflexão analítica e crítica sobre o uso da linguagem como fenômeno identitário (psicológico, educacional, histórico, social, cultural, político e ideológico);
- competência para ensinar francês tanto aos alunos da educação básica quanto das escolas de línguas estrangeiras ou de outros espaços onde se produza uma relação de ensino-aprendizagem;
- capacidade de reflexão teórica sobre as literaturas e as culturas de língua francesa nas diferentes épocas e situações históricas de sua evolução;
- domínio crítico de um repertório representativo das literaturas de língua francesa;
- compreensão do processo de aquisição da linguagem, necessária ao entendimento, de um ponto de vista comparativo, dos problemas relacionados ao ensino e à aprendizagem da língua materna e das línguas
estrangeiras;
- percepção dos diferentes contextos interculturais implicados na aprendizagem e no ensino da língua francesa e de suas literaturas;
- preparo profissional atualizado, condizente com a dinâmica do mundo do trabalho, incluindo o conhecimento dos recursos designados pelo termo genérico de Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs);
- domínio de abordagens diversas, métodos didáticos e técnicas pedagógicas que favoreçam a construção dos conhecimentos a serem produzidos;
- sensibilidade para perceber as fragilidades ou ineficiências de determinadas abordagens didáticas diante de um grupo específico de estudantes;
- habilidade para adotar novas estratégias que pareçam mais adequadas aos diferentes públicos aos quais nos dirigimos a depender do nível, modalidade e espaço de ensino.

Para cumprir o nosso objetivo de formar professores de francês aptosa atuar tanto nas escolas da educação básica ‒ com o público infantojuvenil

‒ quanto em escolas de línguas estrangeiras ‒ com o público jovem e adulto ‒ ou em qualquer outro espaço destinado ao ensinoaprendizagem de língua francesa,a matriz curricular do curso de LETRASFRANCÊS foi organizada com base nos seguintes princípios norteadores:

1. flexibilidade

2. interdisciplinaridade

3. acessibilidade metodológica

4. compatibilidade da carga horária total

5. articulação teoria-prática

6. TICs no processo de ensino-aprendizagem

Nosso curso é organizado de forma a propiciar o desenvolvimento gradativo das habilidades e competências necessárias à atuação do futuro professor de língua e literatura francesa. O modo de estruturação curricular adotado considera o curso como uma sequência de etapas capaz de conduzir o estudante a uma qualificação adequada tanto no que concerne ao domínio de saberes e técnicas relativas ao ensino de francês quanto aos desafios inerentes à realidade de sua profissão.

A par dos 44 (2.860 horas) componentes curriculares obrigatórios que figuram na tabela do item 6.4, o aluno pode escolher pelo menos mais seis disciplinas (360 h) optativas, a fim de chegar a uma carga horária mínima de 3.220 horas que compõem a nossa licenciatura. O estudante tem, portanto, um mínimo de 50 disciplinas às quais podem (ainda) ser acrescentadas até 4 eletivas (240 h) a seu critério. Isso permite, portanto, a construção de diferentes itinerários formativos alicerçados sobre uma mesma base curricular.

O currículo de formação de professores deve desenvolver no licenciando as competências requeridas para se pôr em prática os recursos da interdisciplinaridade e da contextualização, recursos estes que instrumentalizam a transposição didática. De acordo com Guiomar Namo de Mello, esses dois recursos e a transposição didática propriamente dita constituem facetas indissociáveis de um mesmo processo por meio do qual o conhecimento é convertido em objeto de ensino. De acordo com a educadora, a proposta pedagógica entra em ação pela transposição didática. É por meio desta que as intenções educativas, as competências a serem desenvolvidas nortearão a escolha, tratamento, recorte, partição dos conteúdos que darão conta de tornar viável o que foi anteriormente consensuado.

Tal concepção, norteadora do nosso projeto pedagógico, vincula formação específica e formação docente, buscando articular conhecimentos linguísticos e literários com a prática docente. Para implementá-la, os professores do curso buscam atuar de modo integrado, a fim de aproximar especialistas e pedagogos, combatendo a noção de que cada um deve trabalhar isoladamente na sua área de conhecimento.

Flexibilidade

Segundo o Plano de Desenvolvimento Institucional 2010-2019 da UFRN, doravante PDI/2010, “[i]novações curriculares flexíveis e significativas passam pela construção de itinerários formativos diversificados e pela adoção de currículos integrados que promovam a interação entre os conteúdos disciplinares e os níveis de formação”. Essa meta vai ao encontro das Diretrizes Curriculares Nacionais de Letras 2001, segundo as quais cumpre “eliminar a rigidez estrutural do curso; imprimir ritmo e duração ao curso” (p. 29). O Regulamento dos cursos regulares de

graduação da UFRN (2014) também explicita, em seu Art. 21 § 1º, que “[a] organização da estrutura curricular deve pautar-se pelos princípios da flexibilização curricular e da minimização da carga horária exigida” (p. 20).

No âmbito da Licenciatura em Letras-Francês, a flexibilização é implementada por meio de três frentes de ação: (i) a oferta de disciplinas optativas de diferentes áreas do conhecimento e de eletivas de qualquer departamento da UFRN; (ii) a ampliação da oferta das Atividades Teóricopráticas (ATPs); (iii) a diminuição, ou mesmo a supressão, de pré-requisitos em disciplinas de formação específica, a serem implementadas com o novo PPC.

A redução dos pré-requisitos de componentes obrigatórios relacionados à língua francesa e às suas literaturas dará visibilidade à flexibilização. Segundo o PDI/2010 da UFRN, a partir de “uma redução significativa de pré-requisitos e de conteúdos obrigatórios, alcançam-se índices de flexibilidade que propiciam oportunidades diferenciadas de integralização curricular” .

A par dos cinquenta componentes curriculares obrigatórios que , o aluno pode escolher pelo menos mais seis

disciplinas (360 h) entre as cinquenta e uma optativas, a fim de chegar a uma carga horária mínima de 2.820 horas que compõem a nossa licenciatura. O estudante tem, portanto, um mínimo de 40 disciplinas às quais podem (ainda) ser acrescentadas até 4 eletivas (240 h) a seu critério.

Isso permite, portanto, a construção de diferentes itinerários formativos alicerçados sobre uma mesma base curricular.

 Interdisciplinaridade

Segundo as DCNs para o curso de Letras (2001), “[o] resultado do processo de aprendizagem deverá ser a formação de profissional que, além da base específica consolidada, esteja apto a atuar, interdisciplinarmente, em áreas afins” (BRASIL, 2001, p. 30). As DCNs/2015, por sua vez, reafirmam a necessidade de uma formação teórica

interdisciplinar.

Deixando de ser concebido como mera justaposição de disciplinas, o currículo do curso busca promover interações entre os diferentes conhecimentos, asseguradas não apenas pela cooperação entre os quatro departamentos responsáveis pelas disciplinas obrigatórias que integram a estrutura curricular do curso, mas também por aqueles que acolhem alunos de Letras-Francês em disciplinas optativas e eletivas que não integram a nossa matriz curricular.

 Acessibilidade Metodológica

O currículo de formação de professores deve desenvolver no licenciando as competências requeridas para se pôr em prática, no momento de sua atuação docente, a interdisciplinaridade e a contextualização, dois recursos que instrumentalizam o fenômeno (teorizado por Yves Chevallard) denominado transposição didática.

De acordo com Guiomar Namo de Mello, esses dois recursos e a transposição didática propriamente dita constituem facetas indissociáveis de um mesmo processo por meio do qual o conhecimento é convertido em objeto de ensino. De acordo com a educadora,

A proposta pedagógica entra em ação pela transposição didática. É por meio desta que as intenções educativas, as competências a serem desenvolvidas nortearão a escolha, tratamento, recorte, partição dos conteúdos que darão conta de tornar viável o que foi anteriormente consensuado.

Tal concepção, norteadora do nosso projeto pedagógico, vincula formação específica e formação docente, buscando articular os conhecimentos linguísticos e literários com a prática docente. Para implementá-la, os professores do curso buscaram tomar decisões de modo integrado, discutindo toda a construção do projeto pedagógico com

colegas especialistas e pedagogos que participam do NDE e do Colegiado, superando práticas equivocadas onde cada grupo impõe uma visão de formação única, própria da sua área de conhecimento.

6.3.4 Articulação teoria-prática

As DCNs de Letras apontam para uma concepção de currículo em que teoria e prática são elementos integrados. Segundo o documento, “é necessário que se amplie o conceito de currículo, que deve ser concebido como construção cultural que propicie a aquisição do saber de forma articulada. Por sua natureza teórico-prática, essencialmente orgânica, o currículo deve ser constituído tanto pelo conjunto de conhecimentos, competências e habilidades, como pelos objetivos que busca alcançar” (BRASIL, 2001, p. 29).

Em consonância com a Resolução de 2001, as DCNs/2015, em seu Art. 13 § 3º, determinam que os cursos de licenciatura devem garantir, “ao longo do processo, efetiva e concomitante relação entre teoria e prática, ambas fornecendo elementos básicos para o desenvolvimento dos conhecimentos e habilidades necessários à docência” (BRASIL, 2015, p.11).

Nesse sentido, o PPC de Letras-Francês recomenda que a prática não se reduza ao estágio como algo fechado em si mesmo, mas que seja parte integrante e continuada em todo o processo formativo. Como componente curricular, a prática de ensino deverá se iniciar com as oficinas desde o primeiro semestre do curso, guardando estreita relação com as disciplinas que integram a oferta de cada semestre letivo. Embora tenha liberdade de escolher a oficina de seu interesse, o aluno será orientado a adequar sua escolha às necessidades e ao nível da sua

formação.

6.3.5 Transversalidade

A transversalidade é uma prática pedagógica recomendada pelos principais pedagogos da atualidade, bem como está presente nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), sendo abordado de forma mais específica no volume que integra o conjunto dos PCNs intitulado TEMAS TRANSVERSAIS.18 Segundo o pedagogo espanhol Rafael Yus (1998), 18 PCNs, TEMAS TRANSVERSAIS, 1998.

Temas transversais são um conjunto de conteúdos

educativos e eixos condutores da atividade escolar que,

não estando ligados a nenhuma matéria particular, pode se

considerar que são comuns a todas, de forma que, mais do

que criar novas disciplinas, acha-se conveniente que seu

tratamento seja transversal num currículo global da escola.

(YUS, 1998, p. 17)

Na licenciatura em Letras-Francês, esses temas integradores ou transversais estão presentes em todo o percurso formativo, satisfazendo às prescrições legais definidas tanto nas diretrizes curriculares nacionais que regulamentam a formação inicial no ensino superior (2015) quanto naquelas relativas à educação básica (2010).

Conforme as DCNs/2015, a formação docente nas licenciaturas deve contemplar temas relacionados às seguintes questões: políticas públicas e gestão da educação, seus fundamentos e metodologias, educação e tecnologia, meio ambiente e ecologia, direitos humanos, diversidades étnico-racial, de gênero, sexual, religiosa, de faixa geracional,

Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), educação especial, e direitos educacionais de adolescentes e jovens em cumprimento de medidas

socioeducativas.

A inserção desses temas transversais no currículo do curso foi planejada tanto em componentes curriculares obrigatórios quanto em componentes curriculares optativos. A transversalidade dá-se, em nosso

curso, sob duas formas:

a) os temas são integrados aos conteúdos curriculares regulares de modo a fazerem parte das ementas dos componentes obrigatórios;

19 YUS, Rafael. Temas Transversais: em busca de uma nova escola. Porto Alegre: ArtMed, 1998.

b) os temas são objeto de disciplinas específicas que estão na lista de componentes optativos da estrutura curricular.

 TICs no processo de ensino-aprendizagem

O curso utiliza o Sistema Integrado de Gestão de Atividades Acadêmicas da UFRN, que possibilita a interação entre professores e alunos através da internet, com troca de materiais eletrônicos em todos os formatos e extensões, registro de frequência, aplicação de atividades e fóruns de discussão. Todas as salas de aula do curso possuem projetores multimídia e aparelho de som à inteira disposição dos docentes em suas

aulas.

Nas disciplinas de língua francesa e de tradução, frequentemente acessamos sites com dicionários e conjugadores on-line; de acordo com o tema ou o conteúdo a ser trabalhado na unidade, fazemos uso do laboratório de informática a fim de realizar pesquisas, atividades interativas e testes de proficiência em sites dedicados ao ensino e à aprendizagem da língua francesa como, por exemplo:

http://apprendre.tv5monde.com/;

https://www.lemonde.fr/ ;

http://www.cnrtl.fr/

http://www.bonjourdefrance.com.br/ ;

http://www.tv5mondeplusafrique.com/;

http://phonetique.free.fr/, entre outros.

Um exemplo concreto de ação pedagógica usando a internet durante as aulas de literatura francesa (narrativa): estudando o romance de um autor africano (Petit pays, de Gaël Faye) natural do BurundiRuanda, muitas pesquisas e descobertas conjuntas foram feitas em sala de aula sobre a biografia do autor, sobre a história, o relevo, os costumes, a geografia do leste africano, as características da colonização alemã e belga na história e na cultura desses dois países.

A avaliação do projeto pedagógico da licenciatura em LETRASFRANCÊS é uma atribuição permanente dentre as várias ações que estão sob a responsabilidade da equipe do NDE do curso. Ao longo de cada plano trienal de gestão do curso, os integrantes do NDE fazem um acompanhamento contínuo da proposta de formação que se encontra em atividade e avaliação do modelo curricular adotado, eventualmente alterando e aperfeiçoando as suas características e finalidades.
O NDE também se dedica ao estudo do relatório de avaliação externa in loco feito pelo INEP para planejar e executar políticas de melhoria do curso. Conta ainda com a Semana de Planejamento do DLLEM para reavaliar os documentos norteadores do curso e promover o estudo analítico do plano trienal do curso (PATCG) e a aplicabilidade da nova estrutura curricular implementada em 2019.

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