VARIAÇÃO LINGUÍSTICA NAS AULAS DE LÍNGUA PORTUGUESA NO ENSINO FUNDAMENTAL II: UMA PROPOSTA DE INTERVENÇÃO A PARTIR DO GÊNERO TEXTUAL CHARGE
Variação linguística, ensino de língua portuguesa, preconceito linguístico, charge, pesquisa-ação
A variação linguística é um fenômeno natural e inerente a todas as línguas, estudá-la é importante para compreender a diversidade das línguas, sendo indispensável ao ensino de língua portuguesa, pois contribui para combater preconceitos linguísticos e a valorizar as diferentes formas de expressão. O ensino, no entanto, sob essa perspectiva ainda é incipiente na maioria das salas de aula do nosso país. Este trabalho promove uma reflexão sobre a variação linguística nas aulas de Língua Portuguesa no Ensino Fundamental II, destacando a necessidade de uma abordagem que reconheça a heterogeneidade nas línguas como um fenômeno natural. A referida lacuna reside na falta de estratégias pedagógicas que integrem a variação linguística ao currículo escolar, de modo a contribuir para a desmistificação do preconceito linguístico entre os alunos. O objetivo geral deste estudo é possibilitar que os alunos compreendam e reconheçam a variação linguística como parte intrínseca da língua, estimulando uma postura mais respeitosa em relação às diferentes formas de expressão. Para tanto, a pesquisa tem como embasamento teórico os estudos sociolinguísticos de Bagno (1999; 2002; 2007; 2011; 2015), Bortoni-Ricardo (2004; 2005; 2023), Antunes (2007), Mollica (2003), Coelho (2007), Coelho et al (2012) e Labov (2008) que discutem a heterogeneidade linguística variação e mudança e o preconceito linguístico. No que se refere ao estudo de texto e gênero serviram de referencial teórico as pesquisas desenvolvidas por Antunes (2009; 2010), Marcuschi (2008), Dolz e Schneuwly (2004), Koch (2003), Valle (2013) e Romualdo (2000), dentre outros. Os procedimentos metodológicos foram fundamentados nos pressupostos teóricos de Thiollent (2011), Bogdan, Biklen, (1994) e Moreira e Caleffe (2006). Foi desenvolvida uma pesquisa-ação, por meio de uma sequência didática conforma proposta por Dolz, Noverraz, Schneuwly (2004), que pudesse promover intervenções em sala de aula, onde o pesquisador atua como professor, facilitando a interação e a reflexão dos alunos sobre a variação linguística através de atividades com o gênero textual charge. Conclui-se, com esse estudo que, a proposta de intervenção não apenas aprimorou a compreensão dos alunos sobre a diversidade linguística, mas também contribuiu para a construção de um ambiente escolar mais inclusivo, respeitoso e consciente da necessidade de se o combater ao preconceito linguístico.