PARTICIPAÇÃO SOCIAL E DEFICIÊNCIA NO ENVELHECIMENTO: EVIDÊNCIAS EPIDEMIOLÓGICAS, SOCIAIS E TERRITORIAIS
Pessoas idosas. Pessoas com deficiência. Prevalência. Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde. Participação social.
A deficiência é um fenômeno multidimensional resultante da interação entre condições de saúde e barreiras contextuais que restringem a funcionalidade e a inclusão plena na sociedade. Com o acelerado envelhecimento populacional, a interseção entre a idade avançada e a deficiência ganha centralidade na saúde pública, pois pessoas idosas enfrentam os efeitos cumulativos de barreiras físicas e atitudinais, frequentemente agravados por persistentes desigualdades socioterritoriais e pela escassez de dados epidemiológicos padronizados. Diante
dessa problemática, esta tese objetiva analisar a participação social de pessoas idosas com deficiência sob a perspectiva do modelo biopsicossocial da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF), contemplando sua magnitude epidemiológica, os fatores associados ao apoio e à participação social, e os recursos territoriais voltados à sua promoção. A investigação estrutura-se em três estudos compostos por quatro artigos científicos. O primeiro estudo consiste na elaboração de um protocolo e a condução de uma revisão sistemática com metanálise (Artigos I e II) sobre a prevalência de deficiência em pessoas idosas na América Latina. A revisão incluiu 37 estudos, totalizando 633.747 participantes, e a metanálise reuniu 29 estimativas, com prevalência combinada de 25,3% (IC95%: 20,6%–30,0%) e elevada heterogeneidade entre os estudos (I² = 99,97%). As análises de subgrupos e o aprofundamento da discussão encontram-se em andamento. O segundo estudo, apresentado no Artigo III, analisou dados da Pesquisa Nacional de Saúde
(PNS 2019) sobre fatores associados ao baixo apoio social e à baixa participação social entre pessoas idosas brasileiras com deficiência, identificando maior ocorrência desses desfechos entre indivíduos com menor escolaridade, sem companheiro, com pior autoavaliação de saúde e com múltiplos domínios de deficiência, além de associações específicas segundo sexo, idade, tabagismo, uso de dispositivos auxiliares e multimorbidade. O terceiro estudo, apresentado no Artigo IV, encontra-se na fase de mapeamento e caracterização de espaços,
programas e iniciativas promotores de participação social para pessoas com deficiência em Natal, Rio Grande do Norte, considerando sua distribuição territorial, características de funcionamento e recursos de acessibilidade, com vistas a subsidiar práticas de prescrição social. Espera-se que o conjunto dos estudos amplie o conhecimento sobre a deficiência no envelhecimento e contribua para o planejamento de políticas e estratégias voltadas à promoção da participação social, inclusão e à redução das desigualdades.