PRÁTICAS COLABORATIVAS NO CUIDADO EM SAÚDE MENTAL: uma abordagem multimétodos e multiestudos
Serviços de Saúde Mental. Atenção Psicossocial. Colaboração Intersetorial. Trabalhadores da Saúde.
As Práticas Colaborativas no Cuidado em Saúde Mental têm sido reconhecidas como fundamentais para a qualificação do cuidado e para a consolidação dos princípios da Reforma Psiquiátrica. Contudo, persiste a necessidade de aprofundar a compreensão desse fenômeno em diferentes contextos e a partir das perspectivas dos diversos atores envolvidos no cuidado, especialmente em países de média e baixa renda. Nesse contexto, o presente trabalho teve como objetivo analisar as Práticas Colaborativas no Cuidado em Saúde Mental em serviços comunitários de saúde mental, articulando a construção conceitual do fenômeno com as experiências de trabalhadores e usuários. Trata-se de uma investigação multimétodos e multiestudos, composta por três estudos complementares. O primeiro consistiu em uma análise conceitual das Práticas Colaborativas no Cuidado em Saúde Mental, conduzida segundo o método de Análise de Conceito, com o objetivo de identificar os seus atributos, antecedentes e consequências. O segundo correspondeu a um estudo de métodos mistos com desenho convergente paralelo, que analisou, de forma integrada, as relações entre satisfação profissional, sobrecarga ocupacional e Práticas Colaborativas no Cuidado em Saúde Mental entre trabalhadores de Centros de Atenção Psicossocial. O terceiro consistiu em um estudo qualitativo que explorou as experiências de usuários desses serviços com relação às práticas colaborativas, por meio da técnica de Grupo Focal. Ao integrar evidências conceituais e empíricas produzidas a partir das perspetivas de trabalhadores e usuários, esta investigação pretende contribuir para o avanço do conhecimento acerca das Práticas Colaborativas no Cuidado em Saúde Mental, identificando fatores que favorecem ou dificultam a sua implementação e fornecendo subsídios para o fortalecimento de práticas colaborativas alinhadas aos princípios da atenção psicossocial e da Reforma Psiquiátrica.