CORPOS EM EXAUSTÃO: DETERMINAÇÃO SOCIAL DA SAÚDE, CRONICIDADE RENAL E DESAFIOS À INSERÇÃO E PERMANÊNCIA NO TRABALHO
Processo saúde-doença; Dialise Renal; Determinação social da saúde; Saúde do Trabalhador
A Doença Renal Crônica (DRC) constitui um importante problema de saúde pública no Brasil, em razão das elevadas taxas de morbimortalidade e da crescente demanda por terapias renais substitutivas. O objetivo deste estudo foi compreender os desafios e as perspectivas relacionados à inserção, permanência e reinserção no mundo do trabalho vivenciados por pessoas com Doença Renal Crônica em tratamento hemodialítico no município de Natal/RN. Realizou-se uma pesquisa qualitativa, fundamentada no método materialista histórico-dialético e nos referenciais da Determinação Social da Saúde e da Epidemiologia Crítica. O Artigo 1 caracterizou o perfil sociodemográfico, clínico e territorial de 147 pessoas em tratamento hemodialítico vinculadas a seis centros de nefrologia em Natal, Rio Grande do Norte. Os resultados evidenciaram que as desigualdades sociais e territoriais, articuladas às condições materiais de existência, repercutem no processo saúde-doença-cuidado e na reprodução social, expressando as iniquidades produzidas pelo modo de organização da sociedade e pelas relações de classe, gênero, raça/etnia, território e trabalho. O Artigo 2 analisou as experiências de 12 pessoas em tratamento hemodialítico, identificando que a Doença Renal Crônica repercute nas trajetórias laborais. Os resultados evidenciaram a reconfiguração dessas trajetórias laborais em diferentes formas de inserção no mundo do trabalho: formal, informal, autônoma e situações de desemprego, foram marcadas pela interrupção ou reorganização, pela redução da capacidade para o trabalho, pelo aumento da dependência das redes familiares e da proteção social e por repercussões sobre a autonomia, a identidade e os projetos de vida. Evidenciaram, ainda, que a experiência da cronicidade renal ultrapassa a dimensão biológica, sendo socialmente determinada pelas condições materiais e subjetivas de existência, pelo território, pelas relações de trabalho e pelo acesso aos direitos sociais. O estudo amplia a compreensão da Doença Renal Crônica como fenômeno socialmente determinado e oferece subsídios para o fortalecimento das políticas públicas de saúde, proteção social e saúde do trabalhador, orientadas pela integralidade do cuidado e pela redução das iniquidades em saúde.