O TRABALHO EM POSTOS DE REVENDA DE COMBUSTÍVEIS: IMPACTOS NA SAÚDE E O DESAFIO DA VIGILÂNCIA EM SAÚDE DO TRABALHADOR
Trabalho. Posto de combustível. Exposição ocupacional. Saúde do Trabalhador. Vigilância em saúde do trabalhador.
Introdução: O trabalho em postos de combustíveis expõe trabalhadores a riscos ocupacionais, destacando-se a exposição ao benzeno, tolueno, etilbenzeno e xileno (BTEX), associados a diversos danos à saúde. Este estudo justifica-se pela necessidade de ampliar o conhecimento sobre o impacto desta exposição ocupacional na saúde, integrando a visão dos trabalhadores e o desenvolvimento de ações de vigilância voltadas à proteção da categoria. Objetivo: Este estudo tem como objetivo geral analisar os impactos da exposição ocupacional na saúde dos trabalhadores de postos de combustíveis. Metodologia: Estudo de abordagem mista desenvolvido em cinco etapas. Compreende a elaboração de protocolos e a condução de revisões sistemática — com metanálise sobre a prevalência de sintomas por exposição ao BTEX, conforme as diretrizes Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA) — e de escopo, para o mapeamento de ações de vigilância segundo a metodologia do Joanna Briggs Institute (JBI). Adicionalmente, realizou-se pesquisa qualitativa exploratória, ancorada na análise temática de Bardin, para apreender a percepção dos trabalhadores sobre riscos e adoecimentos. Como produto técnico, elaborou-se uma cartilha educativa voltada à categoria. Resultados: Os resultados da revisão sistemática evidenciaram que a exposição ao BTEX em postos de combustíveis gera impactos multissistêmicos, com maior prevalência de sintomas neurológicos (cefaleia, fadiga e tontura) e respiratórios (tosse e dispneia). As análises comparativas indicaram associação entre a exposição ocupacional e os desfechos cefaleia, tosse e dispneia, sugerindo maior ocorrência entre trabalhadores expostos. O estudo qualitativo revelou que os trabalhadores possuem percepção limitada sobre riscos crônicos e efeitos sistêmicos da exposição ocupacional. Embora reconheçam a exposição ao benzeno, desconhecem seus impactos à saúde e carecem de EPIs adequados. Esse cenário, somado à falta de monitoramento da saúde e ausência de ações de vigilância no setor, contribui para a invisibilidade dos agravos e evidencia falhas na fiscalização e na comunicação em saúde no setor. A revisão de escopo apontou expressiva produção científica sobre os efeitos da exposição ocupacional do BTEX, confirmando o reconhecimento da relevância do tema e a preocupação com seus impactos à saúde. Entretanto, a escassez de estudos sobre ações concretas de vigilância, restritas ao México e Brasil, revelou uma dissociação entre o avanço do conhecimento científico e sua aplicação prática em políticas públicas e programas de prevenção. Considerações Finais: Os resultados evidenciam a necessidade de consolidar estratégias de vigilância que aliem o controle ambiental ao monitoramento da saúde e à educação permanente. Essa abordagem visa superar a invisibilidade dos agravos e promover o protagonismo dos trabalhadores na busca por ambientes seguros e condições dignas de trabalho. Por fim, a integração entre evidências científicas e práticas institucionais é fundamental para subsidiar políticas públicas capazes de garantir a segurança e a sustentabilidade da saúde ocupacional no setor de combustíveis.