EFEITO DE DIFERENTES INTENSIDADES DA ESTIMULAÇÃO TRANSCRANIANA POR CORRENTE CONTÍNUA NA HEMODINÂMICA CEREBRAL, DESEMPENHO COGNITIVO, RESPOSTAS PSICOFISIOLÓGICAS E ENDURANCE EM CICLISTAS TREINADOS E SEUS POSSÍVEIS PREDITORES
Neuromodulação, Desempenho físico, atividade cerebral
Introdução: A Estimulação Transcraniana por Corrente Contínua (ETCC) pode modular a atividade neural e melhorar o desempenho, mas os resultados na literatura são inconsistentes, possivelmente devido à limitação da intensidade da corrente. Estudos indicam que intensidades maiores podem gerar efeitos neuromodulatórios mais significativos e consistentes, mas isso ainda não foi testado experimentalmente. Portanto, objetivamos avaliar o efeito da ETCC com diferentes no córtex pré-frontal dorsolateral (DLPFC) na hemodinâmica cerebral, desempenho cognitivo e de Endurance e respostas psicofisiológicas em ciclistas treinados.
Métodos: Dezoito ciclistas treinados do sexo masculino (36,0 ± 8,52 anos de idade; 8,53 ± 5,94 anos de experiência no ciclismo; 10,83 ± 3,03 horas/semana de treino; consumo máximo de oxigênio 58,82 ± 8,16 ml.kg-1.min-1; 301,89 ± 44,49 Watts de potência pico) foram submetidos a um teste incremental máximo e a três testes contrarrelógio de 20 km (CR-20km). Antes dos CR-20km, os participantes receberam de forma randomizada e contrabalanceada a ETCC com 2 mA, 4 mA ou sham (placebo). Antes da ETCC, após a ETCC e após o CR20km os participantes foram avaliados quanto a hemodinâmica cerebral utilizando a espectroscopia por infravermelho próximo funcional (fNIRS) e desempenho cognitivo (teste de Stroop). Durante o CR-20km parâmetros de desempenho (potência, cadência, tempo), frequência cardíaca (FC) e a hemodinâmica cerebral foram continuamente mensuradas e os participantes reportaram as respostas psicofisiológicas [percepção de esforço (PSE), resposta afetiva e alerta] a cada 4 km. Analisamos os dados utilizando Modelos Mistos Generalizados (GMM) com post hoc de Bonferroni e o coeficiente de correlação de Spearman. Sendo considerado p<0,05 para todas as análises.
Resultados: As sensações e percepções relacionadas à ETCC não diferiram entre as condições, o que indica que o cegamento foi efetivo. Não houve efeito da ETCC sobre o desempenho cognitivo ou hemodinâmica cerebral em repouso (todos os ps >0,05). Entretanto, a ETCC com 2 mA resultou em maior potência média e menor tempo de prova no CR-20km comparada à sham (ps<0,001) e 4 mA (ps<0,05), sem diferença entre 4 mA e Sham (ps>0,15). Durante o CR-20km não foram encontradas diferenças entre as condições experimentais para FC, hemodinâmica cerebral, PSE, resposta afetiva e alerta (ps>0,05). A mudança na potência com 2 mA foi correlacionada apenas com desempenho cognitivo basal em estímulos congruentes (rho=0,73; p=0,025) e incongruentes (rho=0,75; p<0,001).
Conclusão: os resultados sugeriram que a ETCC sobre o DLPFC com 2 mA, mas não 4 mA, pode melhorar o desempenho de Endurance em ciclistas treinados, mesmo sem mudanças na hemodinâmica cerebral, desempenho cognitivo e nas respostas psicofisiológicas. Adicionalmente, o desempenho cognitivo basal pode ser um preditor do efeito. Esses achados indicam que pode haver uma intensidade máxima para ETCC exercer seus efeitos neuromodulatórios.