O feedback acústico molda a plasticidade vocal específica ao contexto em saguis (Callithrix jacchus)
aprendizagem vocal; aprendizagem de uso voca; sagui; feedback contingente; período sensível; generalização; reprodução cooperativa;
A aprendizagem de uso vocal — a modificação de quando e em que contexto uma vocalização é produzida — é bem documentada em algumas aves, mas nunca havia sido demonstrada experimentalmente em um primata não humano. Neste estudo, manipulamos o feedback acústico contingente em filhotes de sagui-comum (Common marmoset; n = 9) sem alterar o ambiente de criação. Em cada par de gêmeos, um filhote recebeu feedback parental natural para chamados phee no contexto sozinho-com-cortina (controle), enquanto o outro recebeu um feedback invertido, reforçando chamados trill (switch). Ao longo do desenvolvimento pós-natal, os filhotes do grupo switch produziram menos phees e mais trills no contexto-alvo, enquanto a estrutura acústica dos phees passou a apresentar características mais semelhantes às dos trills. Esses efeitos foram mais fortes durante o período de feedback ativo, consistente com a existência de uma janela sensível do desenvolvimento. A aprendizagem generalizou-se para além do tipo de chamado reforçado: a produção de twitters também divergiu entre os grupos, e a organização das sequências vocais foi reorganizada. Análises de defasagem cruzada revelaram uma dinâmica de substituição entre chamados phee e twitter. Em conjunto, esses resultados fornecem a primeira evidência experimental de aprendizagem de uso vocal em saguis e mostram que o feedback contingente pode moldar simultaneamente o uso vocal, a estrutura acústica e o comportamento vocal generalizado.