Aplicação de conteúdo do questionário STRIDE sobre o processo de
reabilitação pós-AVC na Atenção Primária à Saúde.
acidente vascular cerebral; reabilitação; atenção primária à saúde;
infraestrutura de saúde pública; equipe de assistência ao paciente.
O Acidente Vascular Cerebral (AVC) está entre as principais causas de
incapacidade funcional no mundo, exigindo ações de reabilitação contínuas e
articuladas entre os diferentes níveis de atenção à saúde. Nesse contexto, a
Atenção Primária à Saúde (APS) desempenha papel estratégico na
coordenação do cuidado e no acompanhamento longitudinal das pessoas
após o AVC. Trata-se de um estudo transversal, descritivo e multicêntrico,
realizado com 36 profissionais de saúde atuantes na assistência pós-AVC em
nove municípios da V Região de Saúde do Rio Grande do Norte. Os dados
foram coletados por meio do questionário Stroke Treatment and Rehabilitation
Infrastructure Evaluation (STRIDE), composto por questões relacionadas à
organização dos serviços, composição das equipes multiprofissionais, práticas
assistenciais, educação permanente e transição do cuidado. Observou-se
predominância de enfermeiros e fisioterapeutas entre os participantes. Foram
identificadas fragilidades relacionadas à insuficiência de profissionais,
presença de listas de espera, limitações na infraestrutura e nos equipamentos
destinados à assistência de pessoas pós-AVC, além da baixa utilização de
protocolos estruturados e instrumentos padronizados de avaliação. A
composição das equipes multiprofissionais apresentou predominância de
fisioterapeutas, nutricionistas e psicólogos, enquanto a terapia ocupacional
apresentou baixa participação. Também foram verificadas limitações na oferta
de educação permanente, reduzida disponibilidade de tecnologias assistivas e
fragilidades nos mecanismos de referência, contrarreferência e transição do
cuidado após a alta hospitalar. Os achados evidenciam desafios importantes
na organização da reabilitação pós-AVC na APS, especialmente relacionados
ao acesso oportuno aos serviços, à padronização das práticas assistenciais e
à articulação entre os diferentes níveis de atenção. Embora tenham sido
identificadas práticas assistenciais consolidadas em áreas como fisioterapia,
fonoaudiologia e enfermagem, predominou um modelo de cuidado
fragmentado, com baixa frequência de atendimentos interdisciplinares e
limitada integração entre os profissionais envolvidos no processo de
reabilitação. A reabilitação pós-AVC na APS apresenta fragilidades relevantes
na organização dos serviços, na qualificação profissional e na coordenação
do cuidado. Torna-se necessário investir na implementação de protocolos
baseados em evidências, na educação permanente das equipes, no
fortalecimento do trabalho multiprofissional e na ampliação da articulação da
rede de atenção, visando qualificar a assistência e promover melhores
desfechos funcionais para as pessoas após o AVC.