Aplicação de conteúdo do questionário STRIDE sobre o processo de
reabilitação na Atenção Primária à Saúde
Acidente Vascular Cerebral; Reabilitação; Atenção Primária à Saúde;
Infraestrutura de saúde pública; Equipe de assistência ao paciente.
Introdução: O acidente vascular cerebral (AVC) permanece entre as principais
causas de incapacidade e mortalidade no mundo, exigindo organização
efetiva da assistência e da reabilitação, especialmente no contexto da
Atenção Primária à Saúde (APS). O estudo objetivou avaliar a organização da
reabilitação pós-AVC na APS por meio da aplicação do questionário STRIDE
em municípios das regiões Trairi e Potengi, no Rio Grande do Norte.
Metodologia: Trata-se de um estudo metodológico, observacional, transversal
e descritivo, desenvolvido em duas etapas: avaliação metodológica do
instrumento e aplicação do questionário em serviços da APS. Participaram 32
profissionais das áreas de fisioterapia, enfermagem e fonoaudiologia atuantes
em Unidades Básicas de Saúde, equipes multiprofissionais e Serviço de
Atendimento Domiciliar. Os dados foram analisados por estatística descritiva
utilizando o software IBM SPSS Statistics 23.0. Resultados: Observou-se
predominância de enfermeiros e fisioterapeutas, baixa qualificação específica
em reabilitação neurológica e reduzida participação em capacitações voltadas
ao AVC. Verificaram-se fragilidades relacionadas à ausência de protocolos
estruturados, utilização limitada de instrumentos padronizados de avaliação,
insuficiência de profissionais, presença de listas de espera e baixa
disponibilidade de tecnologias assistivas. As práticas assistenciais
apresentaram heterogeneidade entre as categorias profissionais, com maior
sistematização na fonoaudiologia, atuação funcional consistente da
fisioterapia e participação relevante da enfermagem, embora com limitações
na educação permanente e na estruturação de equipes específicas para
reabilitação. Também foram identificadas fragilidades na articulação entre os
níveis de atenção, com predominância de fluxos informais de
encaminhamento e baixa oferta de ações educativas para familiares e
cuidadores. Conclusão: A reabilitação pós-AVC na APS apresenta limitações
importantes na organização dos serviços e na integração da rede de cuidado,
evidenciando a necessidade de fortalecimento das equipes multiprofissionais, qualificação profissional e implementação de protocolos baseados em
evidências, visando ampliar o acesso, a integralidade e a qualidade da
assistência às pessoas acometidas por AVC no Sistema Único de Saúde.