EFEITOS DA EXPOSIÇÃO PROLONGADA E CRÔNICA DA AMETRINA E FIPRONIL, ISOLADOS E EM MISTURAS, SOBRE FUNÇÃO REPRODUTIVA E COGNITIVA EM ZEBRAFISH (Danio rerio)
neurotoxicidade, pesticidas, Danio rerio;agrotóxicos, reprodução.
Com o objetivo de assegurar a produção de alimentos para uma população global crescente, o uso de agrotóxicos tem se intensificado nas últimas décadas. Entretanto, esses compostos exercem impactos significativos sobre o meio ambiente, contribuindo para a contaminação da água e do solo e representando uma ameaça a diversas formas de vida. Entre os pesticidas amplamente utilizados destaca-se o fipronil (FIP), um inseticida da classe dos fenilpirazóis, empregado em culturas como milho, arroz e feijão. De modo semelhante, a ametrina (AMA) é um herbicida do grupo das triazinas, amplamente aplicada, sobretudo em plantações de cana-de-açúcar. Apesar da vasta literatura sobre toxicidade aguda, ainda são escassos os estudos que avaliam os efeitos de exposições crônicas e ambientalmente relevantes desses compostos, especialmente no que se refere a desfechos subletais capazes de comprometer a viabilidade populacional. Assim, o presente estudo tem como objetivo avaliar os efeitos do fipronil e da ametrina, isoladamente e em mistura, sobre processos cognitivos e comportamento reprodutivo do zebrafish (Danio rerio), integrando desfechos neurocomportamentais e reprodutivos em um modelo in vivo. A utilização de modelos in vivo é fundamental para captar respostas fisiológicas, celulares e moleculares integradas, permitindo a avaliação dos efeitos biológicos em um contexto de organismo inteiro. Os dados gerados apresentam relevância translacional para humanos e outros vertebrados e contribuirão para uma compreensão mais abrangente dos efeitos neurotóxicos e reprodutivos associados à exposição crônica e às interações entre contaminantes ambientais, subsidiando avaliações de risco mais realistas para a proteção de organismos não alvo.