Banca de DEFESA: LIVIA NASCIMENTO RABELO

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : LIVIA NASCIMENTO RABELO
DATA : 09/04/2026
HORA: 14:00
LOCAL: Videoconferência
TÍTULO:

MANIFESTAÇÕES NEUROCOGNITIVAS E NEUROPSIQUIÁTRICAS EM IDOSOS PÓS-COVID


PALAVRAS-CHAVES:

COVID-19; Idosos; Velocidade de processamento; Eficiência da
aprendizagem; Neuropsiquiatria.

 


PÁGINAS: 170
RESUMO:

A COVID-19 é atualmente reconhecida como uma condição multissistêmica cujos efeitos podem se estender além da fase aguda da infecção, sendo associada a uma ampla gama de consequências persistentes, incluindo alterações emocionais e cognitivas, especialmente em populações idosas. Embora evidências
recentes indiquem a presença de sintomas ansiosos, depressivos e déficits cognitivos após a infecção por SARS-CoV-2, os mecanismos subjacentes a esses desfechos ainda não estão completamente esclarecidos. Objetivo: nesse contexto, a presente tese teve como objetivo investigar, de forma integrada, os efeitos da COVID-19 sobre domínios emocionais e cognitivos em idosos, bem como identificar possíveis mecanismos
associados a esses desfechos. Método: Trata-se de um estudo observacional do tipo caso-controle, composto por 63 participantes com idade entre 60 e 75 anos, distribuídos em três grupos: controles sem histórico de infecção (CTL, n = 21), COVID sintomática (COV-S, n = 32) e COVID hospitalizada (COV-H, n = 10). Foram avaliados sintomas emocionais (ansiedade e depressão), qualidade do sono, regulação autonômica por meio
da variabilidade da frequência cardíaca (VFC), bem como desempenho cognitivo em tarefas de atenção, memória episódica verbal e velocidade de processamento. Para tanto, foi utilizado um questionário sociodemográfico e instrumentos padronizados, incluindo o Geriatric Anxiety Inventory (GAI), a Geriatric Depression Scale (GDS-15), o Pittsburgh Sleep Quality Index (PSQI-BR), o Teste dos Cinco Dígitos (FDT), a Bateria Psicológica de Avaliação da Atenção (BPA-2) e o Teste de Aprendizagem Auditivo-
Verbal de Rey (RAVLT). Foram empregados modelos estatísticos inferenciais e preditivos, bem como análises de mediação, com o objetivo de investigar mecanismos psicofisiológicos associados aos desfechos. Resultados: os resultados indicaram que indivíduos com histórico de COVID-19 apresentaram piores resultados no domínio
emocional, com aumento progressivo de sintomas depressivos e ansiosos conforme a gravidade clínica da infecção, sendo mais pronunciados no grupo hospitalizado. A pior qualidade global do sono foi observada no grupo hospitalizado em relação ao controle. Em relação aos mecanismos subjacentes, observou-se que a qualidade do sono mediou a associação entre hospitalização e sintomas emocionais, enquanto a
redução da modulação autonômica vagal, estimada pelo RMSSD, mediou parcialmente a relação entre COVID sintomática e ansiedade, sugerindo a presença de vias psicofisiológicas distintas associadas aos desfechos emocionais. Adicionalmente, maiores níveis de escolaridade e a prática de atividade física associaram-se a melhores desfechos emocionais e autonômicos. No domínio cognitivo, os achados revelaram lentificação no processamento de informações verbais em indivíduos com histórico de COVID-19, especialmente em tarefas automáticas, como leitura. Além disso, foram observados déficits nos processos de codificação da memória, com o grupo sintomático apresentando desempenho inferior ao grupo controle na interferência proativa. O grupo hospitalizado, por sua vez, apresentou maior número de erros de omissão em tarefas de
atenção dividida. Observou-se ainda prejuízo na eficiência da aprendizagem verbal nos grupos COVID, sem comprometimento significativo da memória de curto e longo  prazo. Modelos de regressão linear indicaram que a lentificação cognitiva, associada à redução da velocidade de processamento em tarefas automáticas, constitui um preditor significativo de déficits na eficiência da aprendizagem auditivo-verbal. A análise de covariância indicou ainda que a idade avançada esteve associada ao pior desempenho em tarefas automáticas, enquanto a escolaridade foi preditora de melhor desempenho em tarefas automáticas e controladas. Conclusão: em conjunto, os resultados sugerem que a COVID-19 está associada a alterações emocionais e cognitivas em idosos, mediadas por diferentes mecanismos. Enquanto alterações na qualidade do sono parecem desempenhar papel central nos desfechos emocionais em indivíduos com quadros mais graves, a disfunção autonômica vagal emerge como um mecanismo relevante em indivíduos com quadros sintomáticos. Ademais, a lentificação da velocidade de processamento, particularmente em tarefas automáticas, mostrou-se associada a prejuízos na eficiência da aprendizagem verbal. Esses achados contribuem para a compreensão da heterogeneidade dos efeitos da COVID-19 no envelhecimento e para a identificação de possíveis assinaturas neuropsicológicas do pós-COVID, reforçando a importância de abordagens integradas na avaliação e no manejo desses desfechos em idosos.

 


MEMBROS DA BANCA:
Interna - 1110960 - JANE CARLA DE SOUZA
Interna - 2140860 - ROVENA CLARA GALVAO JANUARIO ENGELBERTH
Externa à Instituição - IVANI BRYS - UFSM
Externa à Instituição - MELYSSA KELLYANE CAVALCANTI GALDINO - UFPB
Externo à Instituição - RAMÓN HYPOLITO LIMA - IIN-ELS
Notícia cadastrada em: 23/03/2026 13:52
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