COMPORTAMENTO E COMUNICAÇÃO DA LONTRA NEOTROPICAL EM LATRINAS COMUNITÁRIAS.
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A Lontra longicaudis (Olfers, 1818) é um mamífero carnívoro, que possuem membranas interdigitais nos dedos das patas que permitem uma excelente adaptação ao estilo de vida semi-aquático. São representantes da família Mustelidae e subfamília Lutrinae. Atualmente são encontradas treze espécies de lontras, distribuídas pelos Continentes: Americano, Europeu, Asiático e Africano. Elas ocupam uma grande variedade de habitats que podem variar desde pântanos e canais de irrigação até áreas costeiras Aspectos morfológicos como tamanho e pelagem, bem como o comportamento, podem variar de acordo com as necessidades, de uma espécie para outra. A Lontra longicaudis (Olfers, 1818) possui uma das mais amplas distribuições geográficas, ocorrendo do norte do México até a Argentina, e em quase todo o Brasil, podendo ser encontrada em ambientes de lagos, rios e estuários. É um animal arisco de difícil visualização, possui hábitos solitários, em geral, hábitos noturnos e crepusculares, principalmente no Nordeste do Brasil. Uma das maneiras de se estudar a espécie é através da observação indireta, juntamente com outros vestígios como carcaças, rastros, latrinas, muco anal e fezes, pode-se estudar o uso do habitat e a frequência de sua ocorrência no mesmo. Apesar da distribuição da espécie ser considerada pelo IUCN como “Dados Insuficientes”, estudos recentes descreve que a espécie é classificada como “Quase ameaçada” no Nordeste do Brasil e “Vulnerável” no domínio de Mata Atlântica devido ao alto nível de degradação do hábitat. Outras causas que ameaçam as lontras são os conflitos com pescadores e proprietários de psicultura e carcinicultura, consequentemente o desmatamento das margens dos rios. Devido à escassez de estudos com a espécie no Nordeste Brasileiro, esta pesquisa tem sido realizada em alguns municípios do estado do Rio Grande do Norte, com a realização de monitoramento com câmeras traps das latrinas de Lontras Neotropicais em vida livre. Com base nas gravações já obtidas até a presente data, comprovamos que a espécie no Rio Grande do Norte é bastante ativa no período crepuscular/noturno. Com as análises das gravações, podemos descrever os diversos comportamentos das lontras em suas latrinas, e com base em estudos já realizados por outros pesquisadores com a espécie em cativeiro, podemos perceber que lontras em cativeiro possuem um comportamento mais limitado do que as lontras que estão em seu habitat natural. Contudo, para a conservação da Lontra longicaudis, é fundamental que medidas como: melhorar a legislação, investir na educação ambiental, aperfeiçoar o controle da poluição e desmatamento, bem como realizar programas de proteção ao meio ambiente, sejam tomadas para reverter a situação do seu Estado de Conservação “Quase Ameaçada (NT) ou Vulnerável”, antes que esta espécie encontre-se “Ameaçada” e posteriormente entre em “Extinção”.