PEDALANDO ALÉM DOS LIMITES DA REALIDADE: A DINÂMICA OSCILATÓRIA DA ATIVIDADE NEURAL EM AMBIENTES DE REALIDADE VIRTUAL
oscilatória cerebral, realidade virtual e estímulos visuais.
O impacto dos estímulos em Realidade Virtual (RV) na fisiologia humana ainda é pouco compreendido, especialmente durante a imersão passiva. O presente estudo teve como objetivo caracterizar a resposta cortical (EEG) e autonômica (VFC) de indivíduos saudáveis em ambientes de RV com diferentes níveis de complexidade visual. Foram registrados EEG e VFC de 42 indivíduos (19-50 anos) durante um protocolo que incluiu repouso e a visualização de vídeos 360° (alta e baixa complexidade). Questionários de presença e cybersickness avaliaram a experiência subjetiva dos voluntários. Os resultados comportamentais indicaram uma experiência imersiva e tolerável, com altos escores de presença espacial. No nível cortical, a análise de EEG revelou uma resposta multifacetada: a potência alfa occipital foi suprimida de forma graduada pela complexidade do conteúdo, enquanto a potência beta e a entropia de Shannon foram primariamente moduladas por um forte efeito de novidade, sendo mais elevadas na primeira exposição à RV. A análise da VFC, por sua vez, demonstrou resiliência do tônus vagal (RMSSD estável), mas com uma supressão específica da VFC geral (SDNN) durante a condição Low e um perfil de fadiga autonômica na recuperação final (queda de HF, aumento da razão LF/HF). Crucialmente, a análise de interação revelou uma dissociação funcional entre a atividade cortical e autonômica durante a imersão RV, com uma fraca correlação significativa emergindo apenas na fase final de recuperação. Em conjunto, os resultados indicam que a imersão passiva em RV, embora não emocionalmente provocativa, impõe um custo fisiológico mensurável. A capacidade de dissociar as assinaturas fisiológicas de carga perceptual, novidade e fadiga destaca o potencial da análise multimodal para o desenvolvimento de experiências em RV mais seguras e eficazes.
.