O CONSUMO EXCESSIVO DE SACAROSE INDUZ COMPORTAMENTOS DO TIPO ANSIOSO E DANO OXIDATIVO NO CORTEX FRONTAL EM CAMUNDONGOS DE MEIA-IDADE
Sacarose, Ansiedade, Transtornos psiquiátricos, Retirada.
A ingestão exagerada de açúcar tem sido associada a diversos transtornos metabólicos, cardiovasculares, além disso, existe uma relação significativa entre o alto consumo de açúcar e a prevalência de transtornos psiquiátricos na população. Assim, o trabalho investigou se a ingestão e a retirada de açúcar da dieta podem
favorecer o surgimento de comportamentos associados a transtornos psiquiátricos em camundongos de meia-idade, explorando os aspectos comportamentais, metabólicos e neuroquímicos envolvidos. Para tal, camundongos Swiss machos foram expostos à solução de sacarose por 28 dias (livre escolha) e após um período de retirada de 7 dias, os mesmos foram avaliados em testes comportamentais e neuroquímicos. Foram utilizados os seguintes testes comportamentais: labirinto em cruz elevado, campo aberto e teste de suspensão pela cauda. Para avaliação neuroquímica, após a avaliação comportamental, os animais foram eutanasiados e
tiveram amostras de sangue e do córtex frontal, hipocampo e mesencéfalo coletadas. O consumo de sacarose prolongado bem como sua retirada induziram maior comportamento ansioso. Os animais passaram menos tempo nos braços abertos do labirinto em cruz elevado. No teste do campo aberto, apesar de não haver diferença na distância percorrida entre os grupos, os animais com exposição contínua à sacarose exploraram menos o centro da arena. No teste de suspensão pela cauda tanto o consumo prolongado de sacarose quanto a sua retirada não alterou o comportamento do tipo depressivo. A exposição à sacarose aumentou o
dano oxidativo em lipídios do córtex frontal, mesmo após uma semana de retirada, mas não alterou a carbonilação de proteínas. Não foram observadas mudanças significativas no dano oxidativo no hipocampo e mesencéfalo devido à sacarose. Por fim, nossos dados sugerem que a retirada por uma semana de sacarose atenua o efeito negativo nas taxas de colesterol, mas não é suficiente para reverter o comportamento ansioso e o dano oxidativo decorrente da exposição prolongada à sacarose.