Continuum bold-shy: explorando a relacao entre tracos de personalidade e transtornos por uso de substancias
neurofisiologia, comportamento, álcool, nicotina, ontogenia
A Organização Mundial da Saúde (OMS) relata que o álcool e o tabaco estão entre as substâncias mais nocivas globalmente, sendo o álcool responsável por 2,6 milhões de mortes anuais e o tabaco por mais de 7 milhões. Tanto o álcool quanto a nicotina afetam o sistema nervoso central, interagindo com a neurotransmissão para produzir seus efeitos. No entanto, nem todos os indivíduos respondem da mesma forma a essas substâncias, pois existem aspectos genéticos, fisiológicos e psicológicos que influenciam essas respostas, tornando alguns indivíduos mais sensíveis que outros. Para entender essas variações, são necessários estudos comparativos entre perfis individuais, envolvendo indivíduos com diferentes características comportamentais e fisiológicas, a fim de fornecer informações valiosas sobre as bases das diferentes respostas às drogas. Para melhor compreender os efeitos dessas duas substâncias aditivas sobre as diferenças individuais, propomos o uso do zebrafish (Danio rerio) como modelo animal. O zebrafish é um vertebrado que, nas últimas décadas, tornou-se um importante organismo modelo para pesquisas neurofarmacológicas e comportamentais devido à sua adequação para o estudo dos efeitos de drogas neuroativas e da variação interindividual, com fenótipos comportamentais e fisiológicos distintos já bem estabelecidos. Esse modelo permite a obtenção de conclusões translacionais, pois apresenta vias bioquímicas cerebrais, neurotransmissores e circuitos que foram evolutivamente conservados nos seres humanos, o que o torna apropriado para comparações. Assim, esta tese teve como objetivo avaliar as respostas comportamentais, cognitivas e a expressão gênica resultante da exposição aguda ao álcool e à nicotina em zebrafish de diferentes perfis comportamentais. Nossos resultados indicam que as diferenças individuais dependem do contexto, da concentração da droga e do perfil comportamental, destacando a necessidade de considerar essas variações ao avaliar potenciais tratamentos para substâncias aditivas.